Saúde mental de motoristas também interfere na segurança no trânsito

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Estresse, cansaço, ansiedade e problemas de sono podem comprometer concentração, percepção de riscos e capacidade de tomar decisões ao volante

As condições emocionais e físicas de quem dirige profissionalmente também fazem parte da segurança no trânsito. Para motoristas que passam muitas horas ao volante, fatores como estresse, irritabilidade, ansiedade, cansaço e alterações no sono podem interferir na concentração e na capacidade de reagir adequadamente a situações inesperadas.

O impacto do estresse sobre a condução foi observado em estudos com motoristas profissionais. Uma pesquisa publicada na revista Psicologia: Ciência e Profissão encontrou associação entre má qualidade do sono e estresse entre condutores brasileiros. Outro estudo, publicado no Eastern Mediterranean Health Journal, identificou relatos de acelerações e desacelerações bruscas relacionadas ao estresse e de falhas cognitivas durante a condução entre os participantes avaliados.

O sono é outro fator que merece atenção. Uma revisão sistemática publicada em 2022 no periódico da Organização Mundial da Saúde (OMS) reuniu 17 estudos sobre sonolência e sinistros de trânsito e encontrou relação entre privação de sono e acidentes. A análise também apontou que dormir seis horas por dia esteve associado a um risco 33% maior de acidentes em comparação com períodos de sete ou oito horas de sono.

Para quem trabalha dirigindo, reconhecer os próprios limites pode ser uma medida de prevenção. Irritabilidade fora do habitual, dificuldade de concentração, alterações persistentes no sono, cansaço constante e sensação de sobrecarga são sinais que merecem atenção. Quando esses sintomas persistem ou interferem na rotina, a recomendação é procurar avaliação de um profissional de saúde. Se o sono ou a falta de concentração surgir durante uma jornada, insistir na direção pode aumentar os riscos.

A prevenção também depende das condições de trabalho. Empresas que utilizam motoristas profissionais podem adotar orientações sobre fadiga, pausas, direção defensiva e identificação de comportamentos de risco. Segundo a Autonomoz, seus motoristas parceiros recebem orientações periódicas sobre segurança e fadiga, enquanto as viagens são acompanhadas por videotelemetria.

O tema ganha destaque durante o Setembro Amarelo e a Semana Nacional do Trânsito, mas os cuidados não precisam ficar restritos às campanhas. Para quem passa boa parte do dia ao volante, dormir adequadamente, respeitar os períodos de descanso, manter o veículo em condições seguras e reconhecer quando não há condições físicas ou emocionais para continuar dirigindo são atitudes que também contribuem para a prevenção de sinistros.

Fonte: Portal do Trânsito, Mobilidade & Sustentabilidade

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