País registrou aumento de 6,6% nas mortes no transporte terrestre entre 2020 e 2023; meta nacional prevê redução de pelo menos 50% até o fim da década
O Brasil tem até 2030 para alcançar uma redução de pelo menos 50% no índice nacional de mortes no trânsito, tendo 2020 como referência. O compromisso integra a Segunda Década de Ação pela Segurança no Trânsito, da Organização das Nações Unidas (ONU), e está previsto no Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (Pnatrans). Os dados disponíveis, porém, mostram que o país ainda precisa reverter uma trajetória de aumento das mortes.
Segundo informações do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, compiladas pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), foram registradas 32.716 mortes no transporte terrestre em 2020. Em 2023, o número chegou a 34.881, uma alta de 6,6%. A meta do Pnatrans considera a taxa de mortalidade por grupo de habitantes, e não apenas a quantidade absoluta de vítimas.
Para a Federação Nacional da Inspeção Veicular (Fenive), o enfrentamento da violência no trânsito depende de políticas permanentes, fiscalização, educação, segurança veicular e acompanhamento dos resultados. A entidade defende que metas sejam acompanhadas por indicadores públicos, definição de responsabilidades e prazos para que seja possível verificar a evolução das medidas adotadas.
A segurança dos veículos também é apontada como uma das frentes de prevenção. Segundo o Relatório da Frota Circulante 2026, do Sindipeças/Abipeças, a idade média dos veículos em circulação no Brasil, sem considerar motocicletas, era de aproximadamente 11 anos em 2025. Entre os veículos leves, a média era de 11,1 anos, enquanto os pesados chegavam a 12,1 anos. Mais da metade da frota leve (52,6%) e 60,2% dos veículos pesados tinham mais de dez anos. A Fenive defende a implantação da Inspeção Técnica Veicular periódica, prevista no Código de Trânsito Brasileiro, como uma das medidas possíveis para acompanhar as condições dos veículos.
Nas rodovias federais, os números da Polícia Rodoviária Federal (PRF) também mostram a dimensão do problema. De janeiro a julho de 2026, foram registrados 10.822 sinistros envolvendo caminhões, com 11.243 pessoas feridas e 1.681 mortes. Os três indicadores cresceram em relação ao mesmo período de 2025. Os dados, entretanto, abrangem ocorrências envolvendo caminhões nas rodovias federais fiscalizadas pela PRF e não significam que os condutores desses veículos tenham sido responsáveis por todos os casos.
Outro obstáculo é a integração das informações produzidas por diferentes órgãos. Dados de saúde, segurança pública e fiscalização rodoviária possuem bases, períodos e recortes distintos, o que dificulta uma avaliação nacional integrada. Para a Fenive, reunir essas informações permitiria identificar com maior precisão os locais e grupos mais expostos, orientar investimentos e fiscalização e verificar se as políticas adotadas estão efetivamente reduzindo mortes e lesões. Com a meta de 2030 no horizonte, a redução da violência viária depende de ações contínuas em infraestrutura, fiscalização, veículos, comportamento dos usuários e atendimento às vítimas.
Fonte: Portal do Trânsito, Mobilidade & Sustentabilidade



