Por Emerson Pereira
A crise no transporte público de Salvador ganhou um novo capítulo neste fim de semana. Após a Secretaria de Mobilidade (Semob) atribuir à campanha salarial dos rodoviários os impactos na operação — como redução de frota e longos intervalos —, o sindicato da categoria divulgou uma nota de repúdio contestando a posição do órgão.
No comunicado, o Sindicato dos Rodoviários questiona a postura da Semob ao afirmar que está “acompanhando” a situação. Segundo a entidade, a própria secretaria é responsável por definir as cartas horárias que orientam a operação do sistema, o que, na visão dos trabalhadores, descaracteriza a ideia de que o problema seja externo ao controle do poder público.
A nota também destaca condições de trabalho consideradas críticas. De acordo com o sindicato, rodoviários vêm sendo submetidos a jornadas extensas, especialmente aos finais de semana e feriados, quando há redução de frota. Há relatos de operadores cumprindo cerca de 10 horas de trabalho, além de dificuldades para pausas básicas durante o expediente.
Outro ponto levantado é a ausência de avanços nas negociações da campanha salarial. A entidade afirma que já foram realizadas três rodadas de negociação sem acordo e que, enquanto isso, os trabalhadores seguem arcando com uma rotina considerada “desumana”. O sindicato ainda defende que a mobilização atual busca garantir melhores condições de trabalho e segurança tanto para os profissionais quanto para os usuários.


A manifestação amplia o impasse entre gestão pública e trabalhadores em um momento de forte insatisfação da população. Nos últimos dias, usuários relataram intervalos superiores a uma hora em linhas alimentadoras e até ausência momentânea de ônibus em áreas de grande circulação.
Com versões divergentes, o episódio evidencia a complexidade do sistema de transporte da capital baiana, onde decisões operacionais, condições de trabalho e qualidade do serviço prestado à população estão diretamente interligadas.



