A velha frase de que “carro não é investimento” ganhou novos questionamentos após um levantamento da consultoria Indicata, realizado a pedido do Jornal do Carro e divulgado pelo Terra. O estudo revelou que vários dos automóveis mais vendidos do país não apenas perderam pouco valor ao longo dos últimos anos, como também chegaram a se valorizar no mercado de seminovos, além de apresentarem alta liquidez na hora da revenda.
A pesquisa analisou veículos com três anos de uso e cerca de 60 mil quilômetros rodados, comparando o valor de um modelo zero-quilômetro com o preço médio do mesmo carro após esse período. O resultado surpreendeu ao mostrar que alguns dos campeões de vendas do mercado brasileiro mantiveram ou até ampliaram seu valor de mercado.
O principal destaque foi a Fiat Strada, líder de vendas no Brasil há cinco anos consecutivos. Segundo o levantamento, a picape registrou uma desvalorização praticamente inexistente, de apenas 0,75%. Na prática, isso significa que o modelo preservou quase integralmente seu valor mesmo após três anos de uso.
Outro resultado que chamou atenção foi o do Volkswagen Polo, atual vice-líder de vendas do mercado nacional. O hatch apresentou uma valorização de 12%, a maior entre todos os veículos avaliados pela consultoria. Em vez de perder valor, o modelo ficou mais caro no mercado de usados durante o período analisado.
O Chevrolet Onix, terceiro carro mais vendido do país, também mostrou forte resistência à depreciação. O hatch teve perda de valor de apenas 2,5%, índice considerado muito baixo para um automóvel com três anos de uso.
Completando o grupo dos cinco veículos mais vendidos do Brasil, o Volkswagen T-Cross apresentou valorização de aproximadamente 5,6%, enquanto o Fiat Argo registrou alta de 7,8% em seu valor de mercado. Ou seja, três dos cinco carros mais vendidos do país ficaram mais caros mesmo acumulando quilometragem e tempo de uso.
Entre os demais modelos analisados, o Hyundai HB20 teve valorização de 5,1%, o Hyundai Creta avançou 5,4% e o Fiat Mobi registrou aumento de 10,58% em seu valor médio de mercado.
Velocidade de revenda também faz diferença
Além da valorização ou baixa depreciação, o estudo avaliou a facilidade de revenda dos veículos por meio do indicador MDS (Market Days Supply). Esse índice mede por quantos dias o estoque atual de determinado modelo seria suficiente para atender à demanda do mercado caso nenhuma nova unidade fosse colocada à venda. Quanto menor o número, mais fácil é vender o veículo.
A média dos modelos analisados foi de 59,27 dias. Os veículos mais populares ficaram próximos ou abaixo desse patamar. A Fiat Strada apresentou MDS de 57 dias, enquanto o Volkswagen Polo registrou 55 dias. Já o Chevrolet Onix alcançou 61 dias, e o Volkswagen T-Cross, 63 dias.
Os melhores resultados do levantamento ficaram com o Fiat Argo e o Fiat Fastback, ambos com apenas 53 dias de estoque, tornando-se os veículos que passam menos tempo parados nos pátios das lojas antes de encontrarem um novo proprietário.
Na outra ponta apareceu a Toyota Hilux, que apresentou o pior índice de liquidez entre os veículos avaliados, com estoque suficiente para 71 dias de vendas.
Por que alguns carros se valorizam?
Especialistas do mercado apontam que veículos de grande volume costumam formar um ecossistema favorável ao proprietário. Quanto mais vendido é um modelo, maior tende a ser a oferta de peças, oficinas especializadas, conhecimento técnico e compradores interessados. Esses fatores ajudam a sustentar os preços no mercado de usados e tornam a negociação mais rápida.
O fenômeno também está relacionado ao aumento dos preços dos carros novos nos últimos anos. Com os zero-quilômetro cada vez mais caros, muitos consumidores migraram para os seminovos, elevando a procura por modelos conhecidos e confiáveis.
O levantamento mostra que, quando o assunto é preservar patrimônio e facilitar a revenda, os campeões de vendas continuam levando vantagem. Modelos como Strada, Polo, Onix, Argo, HB20 e T-Cross não apenas dominam os emplacamentos de veículos novos, mas também permanecem entre os seminovos mais desejados do mercado brasileiro.
Fonte: Terra (Jornal do Carro/Indicata)
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