Incêndio de carreta trava BR-324 neste domingo (26) e expõe colapso estrutural da principal rodovia da Bahia

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O incêndio de uma carreta registrado neste domingo (26) provocou quilômetros de congestionamento na BR-324, principal ligação entre Salvador e o interior da Bahia, e levantou críticas à falta de infraestrutura e à gestão ineficiente da rodovia. O caso foi confirmado pelo G1, que relatou a ocorrência do fogo em um veículo de carga, mobilizando equipes de emergência e impactando diretamente o fluxo de veículos.

Segundo relatos de motoristas que trafegavam pelo trecho, o trânsito ficou praticamente parado por horas, com longas filas se formando em ambos os sentidos da via. “Mais de duas horas sem sair do lugar”, disse um condutor. Outro foi ainda mais direto: “É uma vergonha. Essa estrada virou um desestímulo para viajar”.

Ocorrência pontual, problema estrutural

O incêndio deste domingo funcionou como gatilho imediato para o congestionamento, mas não explica sozinho o colapso. A BR-324 opera há anos no limite da capacidade, sem margem para absorver ocorrências. Qualquer incidente — seja um acidente, pane ou fogo em veículo — é suficiente para travar completamente a rodovia.

Esse padrão se repete com frequência. Durante a Semana Santa de 2026, por exemplo, foram registrados engarrafamentos superiores a 15 quilômetros, além de 47 acidentes e 4 mortes nas rodovias federais da Bahia, com destaque para a BR-324. O cenário reforça a pressão constante sobre a via e a ausência de soluções estruturais.

Histórico de má gestão e impasse político

A situação atual também carrega o peso de anos de críticas à atuação da ViaBahia, concessionária que foi responsável pelo trecho entre Salvador e Feira de Santana. A empresa foi alvo de questionamentos por cobrança de pedágio sem entrega proporcional de melhorias, o que contribuiu para a deterioração da infraestrutura.

O fim da concessão abriu um novo capítulo, mas trouxe outro desafio: o alto custo para encerrar o contrato e a indefinição sobre o modelo de gestão futura. Enquanto isso, a rodovia segue operando em condições consideradas inadequadas para o volume de tráfego que recebe diariamente.

A BR-324 é uma via estratégica, conectando a capital ao maior entroncamento rodoviário do estado, em Feira de Santana, concentrando grande parte do fluxo de cargas e passageiros da Bahia.

PRF atua para reduzir impactos

Em meio ao caos, a atuação da Polícia Rodoviária Federal (PRF) tem sido reconhecida por motoristas. No episódio deste domingo, equipes trabalharam na organização do tráfego e no apoio às operações de emergência, contribuindo para a liberação gradual da pista.

Apesar disso, especialistas apontam que a atuação operacional, por si só, não resolve o problema. Sem investimentos estruturais, a rodovia continuará vulnerável a colapsos recorrentes.

Feriados ampliam alerta para novos congestionamentos

A proximidade do feriado de 1º de maio e, principalmente, do São João, período de maior deslocamento no estado, acende um alerta. Historicamente, essas datas concentram dezenas de milhares de veículos saindo de Salvador em direção ao interior.

Sem melhorias concretas, a tendência é de repetição do cenário: engarrafamentos extensos, aumento no risco de acidentes e prejuízos para o turismo e a economia regional.

Reflexão: crise anunciada e solução adiada

O incêndio da carreta neste domingo não é um fato isolado, mas mais um capítulo de uma crise conhecida. A BR-324 se consolidou como um dos principais gargalos logísticos da Bahia, resultado de anos de decisões mal conduzidas, contratos questionados e ausência de planejamento compatível com a demanda.

Enquanto soluções definitivas não saem do papel, o cidadão segue pagando o preço — parado no trânsito.

Fonte: g1.globo.com

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