3 principais causas de incêndios em carros elétricos

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Embora os incêndios em carros elétricos sejam estatisticamente menos frequentes do que nos veículos movidos a combustão, especialistas alertam que existem três situações principais capazes de desencadear um incêndio nas baterias de alta tensão. O tema ganhou destaque após episódios recentes envolvendo veículos eletrificados e reacendeu o debate sobre a segurança dessa tecnologia.

De acordo com engenheiros ouvidos pelo Jornal do Carro, a primeira situação envolve danos físicos na bateria. Colisões, impactos no assoalho ou perfurações podem comprometer a estrutura do conjunto de células e provocar curtos-circuitos internos, dando início ao processo conhecido como fuga térmica (thermal runaway). Segundo os especialistas, mesmo batidas aparentemente leves podem causar danos internos que não são visíveis externamente.

A segunda causa está relacionada ao processo de recarga. O uso de carregadores não homologados, instalações elétricas inadequadas ou improvisações na rede elétrica pode provocar sobrecarga e superaquecimento da bateria. Os especialistas ressaltam que a utilização de equipamentos certificados e de instalações compatíveis com a potência exigida pelo veículo é fundamental para reduzir esse risco.

Já a terceira situação envolve falhas internas da bateria, que podem decorrer de defeitos de fabricação, considerados atualmente pouco comuns, ou da degradação natural das células ao longo dos anos de uso. Nesses casos, pequenos curtos-circuitos internos podem evoluir para um aquecimento excessivo e, em situações extremas, provocar um incêndio.

Os especialistas destacam que o maior desafio não é apenas o início das chamas, mas o comportamento da bateria durante o incêndio. Como o conjunto é formado por centenas ou milhares de células e permanece selado, o calor gerado internamente pode continuar alimentando a reação química mesmo após o fogo aparente ter sido controlado. Por esse motivo, incêndios em veículos elétricos costumam exigir grandes volumes de água e um longo período de resfriamento, reduzindo o risco de reignição. Em alguns casos, o combate pode consumir até 40 mil litros de água, além de exigir monitoramento contínuo do veículo após a extinção das chamas.

Apesar da repercussão causada pelos incêndios envolvendo baterias, os números indicam que eles são bem menos frequentes do que nos automóveis movidos a combustão. Levantamentos citados pelos especialistas apontam cerca de 25 incêndios para cada 100 mil veículos elétricos, enquanto nos veículos a combustão a incidência chega a aproximadamente 1.500 casos para cada 100 mil unidades. A diferença, segundo os engenheiros, está principalmente na complexidade do combate ao fogo e no forte impacto visual provocado pelas chamas, fatores que costumam ampliar a percepção de risco entre o público.

Os especialistas também ressaltam que calor intenso, chuva ou enchentes, por si só, não provocam incêndios nas baterias de alta tensão, desde que o veículo não tenha sofrido danos estruturais. A recomendação é que proprietários realizem manutenções conforme as orientações do fabricante, utilizem apenas equipamentos de recarga homologados e submetam o veículo à inspeção técnica sempre que houver impactos significativos na região inferior do automóvel.

Fonte: Terra Mobilidade, com informações do Jornal do Carro.

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