A colisão entre dois helicópteros na manhã de domingo (14) transformou um pátio de veículos da BYD em um cenário de destruição no bairro do Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Além da morte de seis ocupantes das aeronaves, o acidente provocou um incêndio de grandes proporções que atingiu pelo menos 20 veículos eletrificados armazenados em uma área pertencente a uma concessionária da marca chinesa.
As aeronaves colidiram no ar antes de cair sobre um terreno localizado na Avenida das Américas, onde funcionava um pátio vinculado a uma concessionária da BYD pertencente ao Grupo Itavema. O impacto foi seguido por explosões e pelo rápido avanço das chamas entre os veículos estacionados.
Acidente mobilizou grande operação de emergência
De acordo com informações do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, o incêndio exigiu uma mobilização superior à inicialmente prevista. Isso porque, ao chegarem ao local, as equipes identificaram que o fogo havia atingido automóveis elétricos e híbridos, cuja tecnologia de armazenamento de energia exige procedimentos diferentes dos aplicados em incêndios convencionais.
O porta-voz da corporação, tenente-coronel Fábio Contreiras, explicou que as baterias de lítio representam um desafio adicional para as equipes de combate.
Segundo ele, o incêndio gerado por esse tipo de componente produz uma quantidade muito maior de energia térmica do que aquela observada em veículos movidos exclusivamente a combustíveis fósseis. O resultado é um fogo mais agressivo e mais difícil de controlar.
Baterias ampliaram a dificuldade de combate às chamas
Especialistas explicam que as baterias de íons de lítio utilizadas em veículos elétricos são compostas por centenas ou até milhares de células individuais.
Quando sofrem danos severos — como os provocados por um impacto de grande intensidade — essas células podem entrar em um processo conhecido como fuga térmica, fenômeno em que a temperatura aumenta rapidamente, gerando novas reações químicas em cadeia dentro do conjunto da bateria.
Nessas situações, apagar apenas as chamas visíveis não resolve o problema.
O grande desafio é reduzir a temperatura interna do sistema para impedir que a bateria volte a incendiar minutos ou até horas depois da aparente extinção do fogo.
Vídeos gravados por moradores da região e compartilhados nas redes sociais registraram sucessivas explosões durante o incêndio, evidenciando a intensidade do calor gerado após a queda das aeronaves.
Incêndios em elétricos exigem muito mais água
O caso reacendeu um debate que vem ganhando espaço entre bombeiros e especialistas em segurança veicular.
Segundo o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, incêndios em veículos elétricos costumam exigir volumes de água muito superiores aos utilizados em carros convencionais. Isso ocorre porque o líquido precisa penetrar profundamente nas estruturas que protegem as baterias para interromper as reações químicas internas.
O tenente Henrique Barcellos, porta-voz da corporação mineira, explicou que o consumo de água pode ser dezenas de vezes maior do que em um incêndio envolvendo um automóvel a combustão. Em alguns países, além da aplicação contínua de água, são utilizados cobertores antichamas especiais e até a submersão completa dos veículos em reservatórios para evitar a reignição das baterias.
BYD lamentou tragédia
Em comunicado divulgado após o acidente, a BYD manifestou solidariedade às vítimas e informou que acompanha o caso junto às autoridades.
A empresa afirmou que presta apoio por meio da concessionária atingida e permanece à disposição dos órgãos responsáveis pela investigação.
A fabricante também ressaltou que o foco, neste momento, está no suporte às autoridades e às famílias afetadas pela tragédia.
Investigação apura causas da colisão aérea
As circunstâncias da colisão entre os helicópteros estão sendo investigadas pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão ligado à Força Aérea Brasileira (FAB). Técnicos foram deslocados para realizar a coleta de dados, análise dos destroços e preservação de evidências.
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) também acompanha o caso e informou que realiza levantamentos sobre a situação operacional das aeronaves e dos pilotos envolvidos.
Enquanto a investigação prossegue, o acidente se tornou um dos episódios mais emblemáticos envolvendo veículos elétricos no Brasil, não por uma falha dos automóveis, mas pela forma como a presença das baterias alterou completamente a estratégia de combate ao incêndio após uma tragédia aérea de grandes proporções.
Fonte: Terra, CNN Brasil, O Tempo, Canal VE



