Estudo coloca Salvador como a segunda capital com melhor fluidez no trânsito do Brasil

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Por Emerson Pereira – Foto Reprodução SóMob

Salvador encerrou 2025 como a capital nordestina com o trânsito mais fluido e o segundo melhor desempenho entre todas as capitais brasileiras, de acordo com o TomTom Traffic Index 2025, estudo elaborado pela empresa holandesa especializada em navegação e monitoramento viário TomTom. O levantamento analisou as condições de tráfego em 492 cidades ao redor do mundo e posicionou a capital baiana à frente de grandes metrópoles internacionais, como Nova Iorque, Buenos Aires, Toronto e Milão.

Os dados mostram que Salvador registrou um índice de congestionamento de 47,6%, o menor entre as capitais nordestinas avaliadas. Para efeito de comparação, Fortaleza apresentou 56,9%, enquanto Recife alcançou 64,7%. A capital baiana também liderou o ranking regional em velocidade média de deslocamento, com 30,2 km/h, superando com folga os índices registrados nas duas cidades.

Outro indicador relevante do estudo aponta que um trajeto de 10 quilômetros em Salvador demandou, em média, 19 minutos e 52 segundos. O resultado ficou atrás apenas de Brasília, onde o mesmo percurso é realizado em aproximadamente 16 minutos e 40 segundos. A diferença pode ser explicada pelas características urbanísticas distintas das duas cidades. Enquanto Brasília foi concebida como uma cidade planejada, com vias amplas e um desenho viário mais organizado, Salvador enfrenta desafios históricos relacionados ao relevo, à ocupação urbana consolidada e ao crescimento populacional ao longo de séculos.

O desempenho alcançado pela capital baiana chama atenção justamente por ocorrer em um contexto urbano mais complexo. Nos últimos anos, a cidade passou por uma série de intervenções voltadas à melhoria da mobilidade, especialmente em corredores estratégicos de tráfego. Entre as principais obras estão o Viaduto José Linhares, a duplicação da ponte sobre o Rio Camarajipe (LIP), o Complexo Viário Tatti Moreno, o pontilhão da Rua Marcos Freire e o Viaduto Duda Mendonça, intervenções que transformaram a dinâmica viária da região da Avenida ACM e da Nova Tancredo Neves.

Segundo estudos da Transalvador, algumas dessas intervenções contribuíram para aumentar em até 90% a velocidade média em vias adjacentes, reduzindo o tempo de deslocamento e proporcionando ganhos operacionais para motoristas e usuários do transporte público. Além da melhoria na fluidez, os resultados também apontam para impactos positivos em aspectos como redução do consumo de combustível e das emissões de poluentes.

Outro fator que ajuda a explicar o desempenho da cidade é o conjunto de mudanças viárias associadas à implantação do BRT. A construção de elevados, a reorganização de retornos e a eliminação de pontos semafóricos em corredores como ACM, Juracy Magalhães e Vasco da Gama contribuíram para tornar o fluxo mais contínuo em áreas historicamente marcadas por congestionamentos.

Apesar dos resultados positivos, especialistas costumam destacar que a melhoria da fluidez não significa, necessariamente, a solução dos problemas de mobilidade urbana. O desafio para Salvador continua sendo equilibrar investimentos em infraestrutura viária com a ampliação e qualificação do transporte coletivo, de modo que o crescimento da circulação de veículos não comprometa os avanços observados nos indicadores de trânsito. Nesse cenário, projetos estruturantes como o VLT de Salvador e futuras expansões dos sistemas de transporte de massa tendem a ser decisivos para a manutenção e evolução dos índices alcançados pela capital baiana.

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