Trânsito intenso aumenta o estresse e pode afetar a saúde antes do expediente

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Pesquisa da CNI aponta que 60% dos entrevistados já chegaram atrasados ou estressados ao trabalho por causa dos deslocamentos; cansaço e irritação também podem prejudicar a segurança viária

Congestionamentos, atrasos e longos deslocamentos fazem com que muitos trabalhadores comecem o expediente já cansados ou estressados. Além de reduzir o tempo disponível para descanso e lazer, a rotina de viagens desgastantes pode aumentar a sobrecarga emocional e prejudicar a atenção de quem dirige, especialmente quando se soma à pressão por cumprir horários.

Uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada em 2023, revelou que 36% dos entrevistados gastavam mais de uma hora por dia em deslocamentos para atividades como trabalho e estudo. O levantamento também mostrou que 60% já haviam chegado atrasados ou estressados ao trabalho por causa do trânsito. Além disso, 32% afirmaram ter recusado uma oferta de emprego devido a dificuldades de transporte ou locomoção.

O desgaste não está relacionado apenas ao tempo de viagem. A imprevisibilidade dos congestionamentos, as condições do transporte e a preocupação com atrasos podem aumentar a tensão diária. Na volta para casa, o cansaço acumulado do expediente pode tornar o percurso ainda mais difícil e reduzir o período disponível para recuperação física e mental.

Esse quadro não significa que o estresse no trânsito, isoladamente, provoque síndrome de burnout. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o burnout está relacionado ao estresse crônico no trabalho que não foi administrado adequadamente e envolve esgotamento, distanciamento mental em relação à atividade profissional e redução da eficácia no trabalho. Deslocamentos desgastantes podem contribuir para a sobrecarga, mas precisam ser considerados dentro do contexto geral de vida e trabalho.

A fadiga e a irritação também merecem atenção no trânsito. A combinação de cansaço, pressa e estresse pode prejudicar a concentração e o tempo de reação, além de favorecer comportamentos impulsivos, como excesso de velocidade e disputas por espaço. Quem apresentar sonolência ou não se sentir em condições de dirigir com segurança deve interromper a viagem em local apropriado e descansar.

A redução desse desgaste depende tanto de medidas individuais quanto de melhorias na mobilidade urbana e na organização do trabalho. Planejar o percurso, avaliar alternativas de transporte e evitar compensar atrasos com manobras arriscadas são cuidados possíveis. Quando viáveis, horários flexíveis, modelos híbridos e opções de transporte oferecidas pelas empresas também podem ajudar. A revisão da NR-1, em vigor desde maio de 2026, reforça a atenção aos fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho, embora isso não torne automaticamente todo estresse do trajeto uma responsabilidade do empregador.

Fonte: Portal do Trânsito, Mobilidade & Sustentabilidade

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