Brasil envelhece, mas cidades e serviços ainda não estão preparados para essa nova realidade

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Aumento da longevidade e redução dos nascimentos mudam a estrutura da sociedade e exigem adaptações em mobilidade, urbanismo, saúde, trabalho e cuidados

O envelhecimento da população brasileira já faz parte do cotidiano e começa a expor um desafio que vai muito além da saúde. Enquanto mais pessoas vivem até idades avançadas, cidades, serviços, famílias e políticas públicas ainda precisam se adaptar a uma realidade em que a população idosa ocupa uma parcela cada vez maior da sociedade.

A mudança demográfica resulta principalmente do aumento da expectativa de vida e da redução do número de nascimentos. Na prática, isso significa que envelhecer deixou de ser uma situação excepcional. Pessoas chegam aos 60, 70, 80, 90 anos e podem manter diferentes níveis de autonomia, participação social, trabalho, consumo e atividade física. Em outros casos, podem precisar de apoio permanente ou temporário.

Essa diversidade também muda o papel das famílias. Muitos filhos e outros parentes assumem tarefas de cuidado ao mesmo tempo em que continuam trabalhando e criando os próprios filhos, situação associada ao conceito de “geração sanduíche”. Quando a pessoa idosa permanece em casa, a manutenção da autonomia e das referências do próprio ambiente pode ser favorecida, mas a falta de uma rede estruturada de apoio frequentemente transfere responsabilidades para os familiares.

O problema também aparece nas ruas. Uma calçada irregular, uma travessia mal planejada, um tempo insuficiente para atravessar a via ou a ausência de locais seguros para caminhar podem transformar uma atividade simples, como ir à farmácia ou ao mercado, em uma situação de risco. O receio de sofrer uma queda pode limitar a circulação e contribuir para o isolamento social.

Por isso, discutir envelhecimento populacional envolve também urbanismo e mobilidade. Cidades planejadas para uma população predominantemente jovem precisam considerar pessoas com diferentes níveis de autonomia física e cognitiva, além de famílias multigeracionais, idosos que vivem sozinhos e trabalhadores que permanecem ativos por mais tempo.

A transformação também alcança a economia e o mercado de trabalho. Uma população mais longeva cria novas demandas de consumo, serviços, moradia, saúde e cuidados. A necessidade de profissionais especializados para acompanhar pessoas idosas tende a ganhar espaço à medida que as famílias enfrentam dificuldades para conciliar trabalho, cuidados e vida pessoal.

O desafio é evitar que viver mais seja acompanhado por perda de autonomia e participação social. Tecnologia e conceitos como “cidades inteligentes” podem contribuir para melhorar os serviços, mas não substituem elementos básicos de acessibilidade, como calçadas adequadas, travessias seguras, transporte público acessível, espaços de convivência e equipamentos urbanos adaptados.

Neste 1º de outubro, Dia Internacional da Pessoa Idosa, o envelhecimento populacional coloca uma questão que precisa ser discutida para além das homenagens: como preparar cidades e instituições para uma sociedade na qual viver mais será cada vez mais comum? O desafio envolve escolas, universidades, empresas, governos e famílias e exige planejamento para uma transformação demográfica que já está em curso.

Fonte: Diário do Rio

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