Consolidação da indústria chinesa pode mudar mercado de carros elétricos no Brasil

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Excesso de produção, guerra de preços e prejuízos levam fabricantes a buscar fusões, enquanto consumidores brasileiros enfrentam dúvidas sobre pós-venda e valor de revenda

A indústria automobilística chinesa entrou em uma fase de reorganização que pode ter reflexos no mercado brasileiro de carros elétricos. O excesso de capacidade produtiva, a competição intensa e os prejuízos de algumas fabricantes estão estimulando movimentos de integração entre grupos, com possibilidade de redução no número de marcas que disputam espaço no setor.

Um dos exemplos recentes é a aproximação entre GAC Group e FAW Group, duas grandes fabricantes estatais chinesas. A negociação prevê integração de recursos industriais e uma participação estratégica da FAW na GAC, além de uma joint venture. O movimento ocorre em um cenário no qual empresas mais novas ganharam espaço no mercado de veículos eletrificados, enquanto algumas montadoras tradicionais enfrentam dificuldades financeiras.

O consultor Milad Kalume Neto, da K.Lume Consultoria, afirma que a indústria chinesa enfrenta uma combinação de excesso de produção, estoques elevados e dificuldade para escoar veículos. Segundo ele, a capacidade instalada deixou de ser uma vantagem quando a oferta supera a demanda interna e as exportações não são suficientes para absorver o volume produzido.

A concentração pode reduzir significativamente o número de fabricantes independentes. De acordo com o especialista, existem atualmente 112 marcas pertencentes a cerca de 55 grupos, embora aproximadamente 80% do mercado esteja concentrado em 15 grupos. Nesse processo, algumas empresas podem ser adquiridas, outras podem se especializar em determinados nichos e algumas podem deixar de existir.

O cenário também interessa aos consumidores brasileiros, já que diversas marcas chinesas ampliaram sua presença no país. A eventual saída ou incorporação de uma fabricante pode afetar a percepção sobre a continuidade da operação, a disponibilidade de peças, o atendimento das concessionárias e o valor de revenda dos veículos. Para Kalume Neto, a estrutura financeira do grupo controlador e a capacidade de manter um pós-venda consistente estão entre os fatores que merecem atenção.

A própria GAC afirmou que sua operação brasileira não será afetada pela movimentação envolvendo GAC e FAW. Segundo a empresa, as discussões citadas na reportagem estão relacionadas às operações das duas companhias responsáveis pela produção e comercialização de veículos Toyota na China. A GAC Brasil informou que mantém seu plano de negócios, portfólio, produção local e rede de concessionárias sem alterações. A consolidação chinesa, portanto, ainda não significa uma mudança automática para os consumidores brasileiros, mas pode alterar a estrutura competitiva do setor nos próximos anos.

Fonte: Terra / GAC / K.Lume Consultoria

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