Brasil registra 37,1 mil mortes no trânsito e amplia desafio para reduzir a violência viária

0
17

Motociclistas concentram parte expressiva das vítimas, enquanto Nordeste supera o Sudeste em número absoluto de óbitos pela primeira vez

O Brasil registrou 37.150 mortes no trânsito em 2024, segundo dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde. O número representa alta de 6,5% em relação a 2023, quando foram contabilizados 34.881 óbitos, e é o maior resultado desde 2016.

A distribuição regional também chama atenção. Em 2024, o Nordeste registrou 11.894 mortes, ultrapassando o Sudeste, que teve 10.995. Foi a primeira vez que a região nordestina liderou o número absoluto de óbitos na série histórica iniciada em 2010. Em relação às taxas por 100 mil habitantes, porém, o Centro-Oeste apresentou o maior índice, com 24,5 mortes, seguido pelo Norte, com 21, e pelo Nordeste, com 20,8.

Os motociclistas estão entre os grupos mais afetados. Dados analisados pelo Observatório Nacional de Segurança Viária mostram que eles responderam por 41,7% das mortes no trânsito em 2024, com 15.500 vítimas. O percentual havia sido de 39% no ano anterior. No Nordeste, a participação das mortes de motociclistas chegou a 51,4%.

Pedestres, especialmente idosos, também estão entre os grupos vulneráveis. Especialistas citados na reportagem apontam problemas como infraestrutura inadequada para circulação a pé, além de fatores relacionados à velocidade dos veículos e à exposição dos usuários mais frágeis do sistema viário.

Velocidade, consumo de álcool e fiscalização estão entre os fatores apontados por especialistas para explicar a persistência das mortes. A discussão também envolve o próprio desenho das cidades e das vias: com o crescimento do uso de motocicletas, medidas de segurança precisam considerar as características e a vulnerabilidade desses usuários, e não apenas atribuir a responsabilidade individual aos condutores.

A redução das mortes está prevista no Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (Pnatrans). A meta nacional é diminuir em pelo menos 50% até 2030 o índice de mortes por 100 mil habitantes, tomando 2020 como referência. Em julho de 2026, uma auditoria do Tribunal de Contas da União apontou limitações na coordenação entre os entes federativos, no monitoramento e nos indicadores utilizados pelo plano.

Fonte: Terra / Ministério da Saúde / Observatório Nacional de Segurança Viária / Ministério dos Transportes / TCU

mortes no trânsito, segurança viária, motociclistas, mobilidade urbana, Pnatrans

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here