Estudo mostra que dirigir de madrugada pode triplicar o risco de acidentes graves

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Embora o trânsito seja mais leve durante a madrugada, esse período está longe de ser o mais seguro para quem dirige. Um estudo conduzido por pesquisadores do Instituto Mauá de Tecnologia, da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade de Swansea, no Reino Unido, concluiu que o risco de acidentes graves entre 2h e 4h da manhã pode ser até 3,5 vezes maior do que durante o dia. A pesquisa é destaque em reportagem do Terra Mobilidade, que alerta para os efeitos da sonolência e do relógio biológico sobre a capacidade de condução.

O levantamento analisou acidentes registrados em rodovias federais brasileiras e comparou o número de ocorrências com o fluxo de veículos em cada horário. Mesmo com menos carros circulando durante a madrugada, os pesquisadores verificaram que o risco individual de um acidente grave aumenta significativamente nesse intervalo, atingindo o pico entre 2h e 4h da manhã.

Segundo os autores, o principal motivo é o chamado “vale biológico”, período em que o organismo humano reduz naturalmente os níveis de atenção, reflexo e capacidade de tomada de decisão. Além disso, a fadiga acumulada e os episódios de microssono — breves lapsos de consciência que podem durar apenas alguns segundos — tornam-se mais frequentes nesse horário e podem ser suficientes para provocar a perda de controle do veículo.

Os pesquisadores destacam que muitos dos acidentes analisados envolveram apenas um veículo, principalmente capotamentos e saídas de pista em trechos retos, situações frequentemente associadas à sonolência do motorista. Para a equipe, esses episódios demonstram que o cansaço representa um fator de risco tão importante quanto outros comportamentos perigosos no trânsito.

A pesquisa também chama atenção para a realidade dos motoristas profissionais, especialmente caminhoneiros e condutores de ônibus, que frequentemente trabalham em jornadas irregulares e trafegam justamente durante a madrugada. Os autores defendem políticas públicas voltadas à ampliação de áreas de descanso nas rodovias, fiscalização das jornadas de trabalho e incentivo ao repouso adequado antes das viagens.

Para quem precisa viajar à noite, os especialistas recomendam evitar iniciar o trajeto nos horários de maior sonolência, fazer pausas frequentes, não insistir em dirigir ao perceber sinais como bocejos constantes, dificuldade para manter os olhos abertos ou perda de concentração e, sempre que possível, descansar antes de retomar a viagem. O estudo reforça que compreender a influência do relógio biológico é essencial para reduzir acidentes e tornar o trânsito mais seguro.

Fonte: Terra Mobilidade, com informações do Jornal da USP e do estudo conduzido pelo Instituto Mauá de Tecnologia, USP e Universidade de Swansea.

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