Radares de trecho podem reduzir mais acidentes do que equipamentos fixos, aponta estudo

0
14

Pesquisa analisou diferentes estudos sobre fiscalização eletrônica e identificou redução maior de acidentes nos sistemas que calculam a velocidade média dos veículos

Um estudo australiano que reuniu resultados de pesquisas sobre fiscalização eletrônica encontrou uma diferença nos efeitos dos radares fixos e dos chamados radares de trecho. Enquanto os equipamentos convencionais estiveram associados a uma redução de 20% nos acidentes nos locais monitorados, os sistemas que calculam a velocidade média registraram redução de 30%.

A análise foi baseada em 15 pesquisas sobre radares convencionais e outras quatro voltadas especificamente aos radares de trecho. Além da quantidade de acidentes, os pesquisadores avaliaram a gravidade das ocorrências e encontraram um resultado ainda mais expressivo nesse segundo modelo: os acidentes fatais ou que provocaram ferimentos graves caíram 56% nos estudos analisados.

Uma das possíveis explicações está no comportamento conhecido como “efeito canguru”. A expressão é usada para descrever a reação de alguns motoristas diante de um radar fixo: eles reduzem bastante a velocidade ao se aproximar do equipamento e, depois de ultrapassá-lo, voltam a acelerar. O movimento pode se repetir diante de cada novo radar instalado na estrada.

Esse comportamento faz com que o efeito do radar convencional fique mais concentrado nas proximidades do equipamento. À medida que o veículo se afasta do ponto de fiscalização, o motorista pode voltar a exceder a velocidade. Já no radar de trecho, o controle considera o tempo necessário para percorrer uma determinada distância, o que dificulta a estratégia de reduzir a velocidade apenas no ponto de fiscalização.

A pesquisa também chama atenção para um possível impacto na segurança viária. Frenagens repentinas antes de radares e acelerações logo depois podem provocar variações bruscas de velocidade entre veículos que trafegam pela mesma via. No sistema de velocidade média, a fiscalização ocorre ao longo do segmento monitorado, favorecendo um comportamento mais uniforme durante o percurso.

Os resultados ajudam a explicar por que radares de trecho vêm sendo estudados como alternativa ou complemento aos equipamentos fixos. A eficiência, porém, depende das condições de implantação e das características de cada rodovia. No Brasil, a ANTT autorizou recentemente um projeto-piloto de 180 dias para testar esse tipo de tecnologia em rodovias federais de oito estados, inicialmente sem aplicação de multas.

Fonte: Xataka Brasil / Xataka Espanha / ScienceDirect

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here