Por Emerson Pereira – Foto Reprodução SóMob
Localizado em uma das regiões mais estratégicas de Salvador, o Terminal Retiro reúne características que, em tese, o colocariam entre os principais pontos de integração do transporte coletivo da cidade. Integrado ao metrô, próximo à Avenida Barros Reis e cercado por bairros densamente povoados, como Fazenda Grande do Retiro, Santa Mônica e IAPI, o equipamento, no entanto, vive uma realidade bem diferente.
Hoje, o terminal conta com apenas três linhas do Integra em operação: 1204 Bom Juá/Conjunto ACM, 2007 Joanes/Lobato e 2009 Santa Mônica/Costa Azul. O resultado é um espaço amplo, com diversas plataformas, mas que passa boa parte do dia com baixo fluxo de ônibus e passageiros.
O cenário chama atenção justamente pelo potencial da localização. Além da integração com a Estação Retiro do metrô, o terminal está próximo de uma das principais corredores viários da capital baiana, em uma região que concentra milhares de moradores e intenso deslocamento diário.
Grande parte dessa mudança ocorreu após a saída das linhas metropolitanas que utilizavam o terminal Retiro. Com a reorganização da operação desses roteiros, o Retiro perdeu uma parcela significativa de sua demanda e passou a desempenhar um papel muito mais discreto dentro da rede de transporte da cidade.
A situação levanta um debate sobre o aproveitamento da infraestrutura pública. Construído para atender um volume maior de linhas e passageiros, o Terminal Retiro opera hoje muito abaixo da capacidade que sua estrutura permite.
O caso, porém, não é isolado. Recentemente, a Prefeitura de Salvador inaugurou o Terminal Mané Dendê, ampliando a oferta de infraestrutura para o transporte coletivo do Subúrbio Ferroviário. Ao mesmo tempo, outros equipamentos, como os terminais de Campinas de Pirajá e Pituaçu, também apresentam uma utilização inferior ao potencial de suas estruturas, levantando discussões sobre o planejamento e a distribuição das linhas de ônibus entre os diferentes pontos de integração da cidade.
No caso do Retiro, a proximidade com o Terminal Acesso Norte também entra na discussão. Enquanto o Acesso Norte concentra dezenas de linhas municipais e recebe um grande fluxo diário de passageiros, o Terminal Retiro permanece com uma operação bastante reduzida. A diferença entre os dois equipamentos faz surgir o questionamento: houve uma concentração excessiva da operação em um único terminal?
Diante desse cenário, especialistas e usuários defendem que uma eventual redistribuição de linhas ou a criação de novos serviços poderia dar uma nova função ao Terminal Retiro, aproveitando melhor uma estrutura já existente e integrada ao metrô.
Mais do que um terminal vazio, o Retiro representa um debate maior sobre o planejamento da rede de transporte de Salvador: faz sentido construir novos terminais enquanto outros equipamentos seguem operando abaixo de sua capacidade? E quais mudanças poderiam tornar esses espaços mais úteis para quem depende do transporte público diariamente?



