Relatório aponta aumento de mortes em vias com Faixa Azul em São Paulo

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Um relatório da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) encaminhado à Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) apontou aumento nos principais indicadores de acidentes em avenidas de São Paulo que receberam a Faixa Azul, sinalização exclusiva para motocicletas implantada em caráter experimental. O documento foi obtido por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) e servirá como base para a decisão do governo federal sobre a continuidade ou revisão do projeto.

A Faixa Azul foi criada para organizar a circulação de motocicletas e aumentar a segurança viária. O espaço é implantado entre a primeira e a segunda faixa de rolamento e permanece em fase de avaliação pela Senatran. Segundo o relatório, porém, os indicadores analisados apresentaram piora após a implantação da sinalização.

Os dados mostram que o número de mortes nas vias com Faixa Azul passou de 57 para 68, uma alta de 19,2%. Já os sinistros fatais envolvendo motociclistas aumentaram de 57 para 67 ocorrências, crescimento de 17,5%. No mesmo período, o fluxo de motocicletas nessas vias aumentou aproximadamente 10,9%, segundo a CET.

O indicador que apresentou a maior elevação foi o de atropelamentos fatais. Antes da implantação da Faixa Azul, foram registradas 10 mortes de pedestres atropelados nas vias analisadas. Após a adoção da sinalização, esse número subiu para 25 vítimas, representando um aumento de 150%.

Os atropelamentos com vítimas não fatais também cresceram, passando de 125 para 155 casos, avanço de 24%. Já os acidentes entre carros e motocicletas com vítimas não fatais aumentaram de 2.016 para 2.295 registros, alta de 13,8%. No total, o número de vítimas não fatais saltou de 2.455 para 2.840 pessoas, crescimento de 15,6%.

Apesar da piora dos números absolutos, a CET concluiu no relatório que a Faixa Azul se consolidou como uma tecnologia de preservação da vida. Para sustentar essa avaliação, a companhia utilizou um indicador chamado Taxa de Severidade, que considera fatores como extensão da via, volume diário de veículos e período analisado. Segundo esse cálculo, o índice médio caiu de 7,9 para 5,8 pontos, redução de 26,5%.

A metodologia, no entanto, vem sendo alvo de questionamentos. Críticos argumentam que ela atribui pesos semelhantes a vias com características de tráfego bastante diferentes, o que poderia influenciar os resultados. O próprio relatório informa que parte dos acidentes fatais analisados não possuía indicação precisa sobre se ocorreu dentro ou fora da Faixa Azul. Segundo a reportagem original, esses casos foram classificados pela CET como ocorrências fora da faixa exclusiva.

A discussão sobre os impactos da Faixa Azul já vinha sendo alimentada por outros estudos independentes. Pesquisa realizada por um consórcio formado por USP, Universidade Federal do Ceará (UFC), Instituto Cordial, Vital Strategies e G-Drones apontou que a velocidade média das motocicletas em vias com Faixa Azul subiu de 58,3 km/h para 72,2 km/h. O estudo também identificou aumento entre 100% e 120% no risco de acidentes fatais envolvendo motociclistas em cruzamentos.

Agora, caberá à Senatran analisar a consistência técnica do relatório da CET e dos demais estudos antes de decidir se a Faixa Azul será regulamentada em definitivo, mantida com ajustes ou revisada. Enquanto isso, as estruturas já implantadas continuam operando normalmente em São Paulo, mas novas expansões do projeto dependem da avaliação do órgão federal.

Fonte: Terra Mobilidade, com dados da CET obtidos via Lei de Acesso à Informação.

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