Estudo global com 1.720 mulheres revela estresse causado por passageiros que “ensinam” a dirigir

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Um levantamento internacional realizado pela organização Women’s Worldwide Car of the Year (WWCOTY) revelou que um dos fatores de maior estresse para mulheres motoristas é a atitude de passageiros que insistem em dar instruções e conselhos sobre como elas devem conduzir o veículo. O estudo foi divulgado em referência ao Dia Internacional das Motoristas, celebrado em 24 de junho, e reuniu respostas de 1.720 mulheres de 33 países.

A pesquisa identificou que a maioria das entrevistadas se considera uma motorista segura e concentrada, mas relata enfrentar situações desconfortáveis provocadas por terceiros durante a condução. Entre elas, destacam-se os passageiros que questionam decisões tomadas ao volante, sugerem rotas sem serem solicitados ou tentam orientar a forma de dirigir, comportamento que muitas participantes classificaram como uma das principais fontes de irritação e tensão.

Os resultados mostram que 97% das entrevistadas afirmam dirigir de forma segura, índice que acompanha dados globais de segurança viária. Segundo informações citadas pela pesquisa, relatórios da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que os homens representam aproximadamente 73% das mortes no trânsito em todo o mundo, reflexo de uma maior incidência de comportamentos de risco. Já o padrão de condução feminino é associado, de forma geral, a níveis mais elevados de prudência e menor envolvimento em acidentes graves.

O estudo aponta que os incidentes mais frequentes envolvendo mulheres ao volante costumam ocorrer em manobras de baixa velocidade, como estacionamentos ou conversões em cruzamentos. Em contrapartida, os comportamentos de maior risco, como excesso de velocidade e condução agressiva, continuam sendo registrados com mais frequência entre motoristas homens.

Outro dado relevante revelado pelo levantamento é que os próprios motoristas são apontados como a principal causa de estresse para as mulheres no trânsito. Agressividade, imprudência, desrespeito às regras de circulação e atitudes intimidatórias aparecem entre as reclamações mais frequentes das participantes. Os passageiros que interferem constantemente na condução aparecem logo em seguida entre os fatores mais citados.

A pesquisa também reforça uma percepção já observada em outros levantamentos internacionais: mulheres costumam demonstrar maior preocupação com segurança e prevenção de acidentes. Essa característica influencia diretamente o modo como dirigem e a forma como avaliam situações de risco nas vias.

Para os organizadores do estudo, os resultados ajudam a desmontar estereótipos históricos sobre a condução feminina e mostram que muitas das dificuldades enfrentadas por mulheres ao volante não estão relacionadas à capacidade de dirigir, mas ao comportamento de outras pessoas ao seu redor, sejam motoristas ou passageiros.

A divulgação do levantamento ocorre em um momento em que cresce a discussão sobre a participação feminina nos diferentes segmentos da mobilidade. Embora o número de mulheres habilitadas e atuando profissionalmente no transporte venha aumentando em diversos países, elas ainda enfrentam desafios relacionados a preconceitos, insegurança e falta de representatividade em setores tradicionalmente dominados por homens.

O estudo da WWCOTY é considerado um dos maiores já realizados exclusivamente com mulheres motoristas e oferece um panorama global sobre hábitos de direção, percepção de segurança e desafios enfrentados por elas no trânsito contemporâneo.

Fonte: Terra Mobilidade / Xataka

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