A operação dos ônibus municipais do Rio de Janeiro apresentou recuperação gradual ao longo da manhã da segunda-feira (29), primeiro dia da greve dos rodoviários da capital fluminense. Apesar do aumento no número de veículos em circulação, o sistema ainda operava abaixo do percentual mínimo determinado pela Justiça do Trabalho para o período da paralisação.
De acordo com levantamento divulgado às 13h30, havia 893 ônibus em circulação, número superior aos cerca de 860 veículos registrados nas primeiras horas do dia. Mesmo com esse crescimento, a frota em operação representava apenas 24% do total do sistema, percentual distante dos 50% exigidos pelo Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1) para garantir atendimento mínimo à população durante a greve.
Os dados operacionais apontavam que o sistema municipal possuía 3.718 ônibus cadastrados, dos quais 2.825 permaneciam recolhidos nas garagens durante a tarde. A paralisação foi aprovada pelos rodoviários após o fracasso das negociações salariais com o setor patronal. Entre as principais reivindicações da categoria estão reajustes salariais, aumento do vale-alimentação, fim dos contratos temporários e contratação de trabalhadores do BRT sob regime CLT.
Apesar do cenário geral de baixa oferta, algumas empresas conseguiram atingir ou até superar o percentual mínimo estabelecido pela Justiça. A Transurb liderava a recuperação operacional com 71% da frota em circulação, seguida pela Viação Nossa Senhora das Graças (67%), Auto Viação Alpha (64%), Viação Ideal (60%), Viação Verdun (53%) e Auto Viação Tijuca (50%). Outras operadoras, como Gire Transportes e Viação VG, também se aproximavam do índice exigido.
Por outro lado, diversas empresas ainda enfrentavam dificuldades para colocar veículos nas ruas. Entre as operadoras com menor nível de circulação estavam Auto Viação Jabour, Santa Cecília Turismo, Transportes Barra, Transportes Futuro, Viação Redentor e Viação Mendanha, que registravam percentuais reduzidos de operação no início da tarde.
Em meio à paralisação, a Viação Novacap divulgou um comunicado interno conclamando seus motoristas a retornarem ao trabalho imediatamente. A empresa afirmou que não havia riscos para a retomada das atividades e ressaltou que diversas viações já operavam normalmente ou próximas da meta fixada pelo TRT. No comunicado, a Novacap também destacou que as negociações com os trabalhadores permaneciam abertas e que o transporte coletivo é essencial para o funcionamento da cidade.
A greve continuou provocando impactos significativos na mobilidade urbana. Passageiros enfrentaram longas filas nos pontos de ônibus, aumento do tempo de espera e superlotação em outros meios de transporte. Para tentar absorver a demanda, sistemas como metrô, trens urbanos, BRT e barcas reforçaram suas operações ao longo do dia.
A expectativa do setor está voltada para uma audiência de mediação marcada para esta terça-feira (30) no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região, quando representantes das empresas e dos rodoviários voltarão à mesa de negociações em busca de um acordo que permita a normalização do serviço. Até lá, o monitoramento da frota segue sendo realizado em tempo real pelas autoridades e pelas empresas responsáveis pela operação do sistema.
Fonte: Ônibus & Transporte




