Quase 30% dos caminhoneiros admitem usar estimulantes para permanecer acordados nas estradas, aponta pesquisa

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Uma pesquisa recente revelou um dado preocupante sobre a realidade do transporte rodoviário de cargas no Brasil: 28% dos caminhoneiros afirmaram utilizar substâncias estimulantes para permanecer acordados durante as viagens. O levantamento acende um alerta para os riscos à segurança viária e reforça a preocupação de especialistas com as condições de trabalho enfrentadas por esses profissionais.

Segundo a reportagem do Portal do Trânsito, o uso de estimulantes continua sendo uma prática presente no setor, apesar das restrições legais e dos riscos conhecidos à saúde e à segurança. Essas substâncias são utilizadas principalmente para combater o sono e prolongar as jornadas ao volante, muitas vezes em viagens de longa distância e sob pressão de prazos para entrega de cargas.

Os especialistas ouvidos pela reportagem alertam que os efeitos iniciais dessas substâncias podem transmitir uma sensação temporária de disposição, mas costumam ser seguidos por fadiga intensa, redução da capacidade de concentração e comprometimento dos reflexos. Esse quadro aumenta significativamente o risco de acidentes nas rodovias.

Pressão por produtividade favorece o problema

O levantamento destaca que muitos motoristas enfrentam rotinas marcadas por longos deslocamentos e períodos insuficientes de descanso. Nessas circunstâncias, alguns profissionais recorrem aos chamados “rebites” e a outros estimulantes para conseguir cumprir cronogramas apertados.

Estudos acadêmicos sobre o tema mostram que o consumo dessas substâncias está frequentemente associado a viagens mais longas e a períodos reduzidos de sono. Pesquisas realizadas com caminhoneiros brasileiros identificaram que motoristas que utilizam estimulantes costumam percorrer distâncias maiores e descansar menos horas durante a noite.

Sono continua sendo um dos maiores fatores de risco nas rodovias

Especialistas lembram que o sono ao volante figura entre as principais causas de acidentes graves envolvendo veículos de carga. A privação de sono pode provocar lapsos de atenção, redução da capacidade de reação e até episódios de “microssono”, quando o motorista adormece por alguns segundos sem perceber.

O problema torna-se ainda mais grave porque muitos condutores acreditam que os estimulantes eliminam os efeitos do cansaço. Na prática, segundo os especialistas, essas substâncias apenas mascaram temporariamente a fadiga, sem substituir a necessidade fisiológica de descanso.

Saúde também é afetada

Além dos riscos de acidentes, o uso frequente de estimulantes pode provocar consequências importantes para a saúde dos caminhoneiros. Entre os problemas apontados por especialistas estão alterações cardiovasculares, aumento da pressão arterial, ansiedade, irritabilidade e dependência química.

Pesquisas anteriores realizadas com motoristas profissionais também identificaram associação entre o uso de estimulantes e outros comportamentos de risco, incluindo o consumo de álcool.

Especialistas defendem mudanças estruturais

Para especialistas em segurança viária, combater o problema exige mais do que fiscalização. A solução passa por melhores condições de trabalho, respeito aos períodos obrigatórios de descanso, planejamento logístico mais eficiente e redução da pressão por produtividade excessiva.

A avaliação é que jornadas mais equilibradas e condições adequadas de repouso podem reduzir significativamente a necessidade de recorrer a substâncias estimulantes, contribuindo para a segurança dos próprios caminhoneiros e dos demais usuários das rodovias.

O levantamento reforça que o desafio permanece atual: enquanto quase três em cada dez caminhoneiros admitirem depender de estimulantes para seguir viagem, o transporte rodoviário continuará enfrentando um problema que afeta simultaneamente a saúde dos profissionais e a segurança no trânsito brasileiro.

Fonte: Portal do Trânsito

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