Brasil já produz 40% dos veículos eletrificados vendidos no país

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A indústria automotiva brasileira atingiu um marco importante em 2026. Pela primeira vez, quatro em cada dez veículos eletrificados vendidos no mercado nacional já são produzidos ou montados em território brasileiro, um avanço que demonstra a rápida nacionalização da eletromobilidade e reduz a dependência de importações que marcaram os primeiros anos da expansão dos carros elétricos e híbridos no país.

O dado foi divulgado pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e reflete uma transformação acelerada do setor. Em 2025, apenas 25,7% dos eletrificados comercializados no Brasil tinham produção nacional. Em 2026, essa participação saltou para aproximadamente 40%, impulsionada principalmente pelos investimentos realizados por montadoras chinesas e tradicionais fabricantes instaladas no país.

O crescimento ocorre em paralelo à expansão das vendas. Os veículos eletrificados vêm registrando recordes sucessivos de participação no mercado brasileiro. Em abril de 2026, os modelos híbridos e elétricos alcançaram 18,3% das vendas totais de veículos leves, o maior percentual já registrado no país. Em outras palavras, praticamente um em cada cinco veículos vendidos no Brasil já possui algum tipo de eletrificação.

Segundo a Anfavea, a nacionalização ganhou força graças aos investimentos realizados nos últimos anos. A chegada de fabricantes como a chinesa BYD, além da ampliação das operações da GWM e da produção de modelos híbridos por montadoras já estabelecidas no Brasil, ajudou a consolidar uma nova etapa da indústria automotiva nacional.

O presidente da Anfavea, Igor Calvet, destacou que a tendência é de crescimento contínuo da participação nacional. Segundo ele, o país caminha para atingir, em breve, a marca de metade dos eletrificados vendidos sendo produzidos localmente.

Os números mostram que a demanda também segue em ritmo acelerado. Dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) indicam que os eletrificados alcançaram 122.463 emplacamentos entre janeiro e abril de 2026, volume que representa mais da metade de todas as vendas registradas durante o ano de 2025. Apenas em abril foram comercializadas 38.516 unidades, um novo recorde para o segmento.

O crescimento não está restrito aos híbridos. Os veículos totalmente elétricos também avançam rapidamente. Nos quatro primeiros meses do ano, o Brasil registrou 48.514 emplacamentos de automóveis 100% elétricos, número quase três vezes superior ao registrado no mesmo período de 2025, quando foram vendidos 17.695 veículos dessa categoria.

Grande parte desse avanço é puxada pelo sucesso de modelos de entrada, especialmente o BYD Dolphin Mini, que sozinho respondeu por mais de 21 mil licenciamentos entre janeiro e abril, tornando-se o elétrico mais vendido do Brasil com ampla vantagem sobre os concorrentes.

Além do aumento da produção nacional, especialistas apontam outros fatores que ajudam a explicar a expansão dos eletrificados. Entre eles estão a ampliação da rede de recarga, a chegada de modelos mais acessíveis, incentivos industriais, redução gradual dos custos de produção e maior confiança dos consumidores na tecnologia. Discussões em comunidades de entusiastas da mobilidade elétrica também refletem a percepção de que os carros eletrificados estão deixando de ser um nicho para se tornarem presença cada vez mais comum nas ruas brasileiras.

A expectativa da Anfavea é que o mercado brasileiro encerre 2026 com entre 420 mil e 450 mil veículos eletrificados vendidos, consolidando o país como um dos mercados de maior crescimento da eletromobilidade no mundo. Caso a projeção se confirme, o Brasil poderá atingir um novo recorde histórico tanto em vendas quanto em produção local de veículos com tecnologias eletrificadas.

O avanço da produção nacional também tem importância estratégica para a economia. Além de gerar empregos e atrair investimentos industriais, a fabricação local reduz custos logísticos, fortalece a cadeia de fornecedores e prepara o país para disputar espaço em um mercado global que caminha rapidamente para a eletrificação da mobilidade.

Fonte: Electric News, Anfavea e ABVE

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