BMW é a única grande montadora que manteve ocupação de fábricas na Europa próxima ao nível pré-Covid

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A BMW aparece como a única grande montadora consolidada que conseguiu manter a ocupação de suas fábricas europeias praticamente no mesmo patamar de antes da pandemia, em um mercado pressionado por eletrificação, concorrência chinesa, queda do diesel e retração da produção. Segundo dados citados pela Globaldata, a taxa de ocupação das fábricas da marca era de 82% em 2019 e passou para 81% em 2024, sem fechamento de unidades no período.  

O desempenho contrasta com a crise industrial enfrentada por outros grupos na Europa. A Volkswagen, por exemplo, chegou ao ponto de fechar pela primeira vez em sua história uma fábrica na Alemanha: a unidade de Dresden, conhecida como fábrica de “vidro”, após 88 anos de trajetória do grupo em meio a crises, pandemia e reestruturações.  

A transformação do mercado europeu nos últimos cinco anos foi intensa. A entrada de fabricantes chineses, incluindo empresas que já produzem em fábricas locais, como a Leapmotor na estrutura da Stellantis na Espanha, somou-se ao avanço gradual dos elétricos, ao declínio do diesel, à expansão dos sistemas de assistência ao motorista e à inflação nos preços dos carros. O resultado foi uma pressão direta sobre produção, portfólio e capacidade instalada das montadoras.  

Nesse ambiente, vários grupos reduziram significativamente o ritmo. A Ford passou de 68% de ocupação em 2019 para apenas 22% em 2024, afetada pela descontinuação de modelos como Focus e Fiesta, que, junto com o Kuga, sustentavam boa parte das vendas. A Mercedes-Benz caiu de 85% para 69%, a Stellantis passou de 64% para 49%, e a Volkswagen perdeu 10 pontos percentuais, chegando a 69% em 2024.  

Mesmo no caso da BMW, a estabilidade não elimina riscos. A reportagem ressalta que os dados vão apenas até o fim de 2024, e que uma queda mais acentuada poderia aparecer em 2025, diante do aumento de tarifas sobre produtos destinados aos Estados Unidos e de dificuldades no mercado chinês, ainda que a situação da BMW na China seja considerada menos problemática do que a de Audi ou Mercedes.  

O quadro europeu segue preocupante. De acordo com a curva de produção automotiva divulgada pela Inovev, a tendência é de queda desde meados dos anos 2000, apesar de recuperações pontuais. A reportagem cita ainda que a França, que produziu mais de 12 milhões de veículos leves em 2018, emplacou apenas cerca de 8 milhões em 2025, sinalizando uma redução estrutural na força industrial do setor no continente.  

Fonte: Terra / Xataka

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