Veículos elétricos podem ajudar a estabilizar redes elétricas, afirma maior concessionária da Califórnia

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Os veículos elétricos, frequentemente apontados como uma ameaça adicional à sobrecarregada infraestrutura energética dos Estados Unidos, podem se transformar em parte da solução para os desafios do setor elétrico. A avaliação é de Patricia Poppe, presidente-executiva da PG&E, maior concessionária de energia da Califórnia, que defende o uso dos automóveis elétricos como unidades móveis de armazenamento capazes de fornecer energia à rede nos momentos de maior demanda.

A visão ganha força à medida que montadoras ampliam suas estratégias no setor energético. A General Motors (GM) anunciou nesta semana novos avanços em sua tecnologia de integração entre veículos elétricos e sistemas de energia, permitindo que automóveis conectados não apenas abasteçam residências durante apagões, mas também devolvam eletricidade diretamente à rede pública.

Atualmente, a GM possui mais de 250 mil veículos elétricos bidirecionais circulando nos Estados Unidos. Esses modelos são capazes tanto de carregar suas baterias quanto de fornecer energia para residências e sistemas externos. Parte dos proprietários já utiliza o sistema Vehicle-to-Home (V2H), que permite alimentar a casa durante interrupções no fornecimento de energia.

Agora, uma atualização de software permitirá que esses veículos participem também do sistema conhecido como Vehicle-to-Grid (V2G), em que a eletricidade armazenada na bateria pode ser enviada para a rede elétrica em períodos de pico de consumo.

Apesar do potencial, especialistas apontam desafios para a expansão da tecnologia. Muitos proprietários de veículos elétricos desconhecem que seus carros podem servir como fonte de energia. Outros podem resistir à ideia por preferirem manter a bateria totalmente carregada para uso pessoal, mesmo diante da possibilidade de economizar na conta de luz.

A participação das concessionárias será decisiva para o sucesso da iniciativa. Além de educar consumidores, as empresas precisarão criar incentivos financeiros capazes de estimular a adesão ao sistema.

Outro obstáculo é a fragmentação do setor elétrico norte-americano. Os Estados Unidos contam com cerca de 3 mil distribuidoras regionais de energia, dificultando a criação de uma política nacional unificada para o V2G. Diante disso, a GM divulgou uma carta aberta dirigida a concessionárias e órgãos reguladores defendendo a adoção da tecnologia.

Os projetos mais avançados estão concentrados em estados como Califórnia, Texas e Michigan. Em Michigan, a GM mantém um programa piloto em parceria com a concessionária DTE Energy envolvendo 30 funcionários da própria montadora. Já na Califórnia, onde incêndios florestais e o crescimento da demanda por eletricidade pressionam o sistema energético, a PG&E conduz testes com diversas fabricantes.

Segundo Patricia Poppe, o conceito representa uma revolução para o setor elétrico. “É a primeira demanda verdadeiramente flexível que já existiu”, afirmou.

A GM informa que atualmente possui milhares de clientes aptos a participar dos programas V2G. A meta da empresa é alcançar, até 2030, cerca de 52 mil veículos bidirecionais contribuindo para a rede elétrica na área de atuação da PG&E, no norte da Califórnia.

Fonte: Axios, General Motors (GM), PG&E, DTE Energy.

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