Como três navios cancelados por Trinidad e Tobago foram parar na Marinha do Brasil

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Embarcações foram encomendadas para a guarda costeira do país caribenho, mas acabaram adquiridas pelo Brasil e deram origem à Classe Amazonas

Três navios-patrulha oceânicos que deveriam integrar a Guarda Costeira de Trinidad e Tobago acabaram incorporados à Marinha do Brasil após o cancelamento do contrato original. O negócio resultou na aquisição dos navios Amazonas, Apa e Araguari, que passaram a formar uma classe utilizada em missões de patrulha e vigilância marítima.

A história começou em abril de 2007, quando Trinidad e Tobago contratou a então Vosper Thornycroft Shipbuilding para construir três embarcações por £ 150 milhões. O primeiro navio, batizado de Port of Spain, começou a ser construído em Portsmouth, em fevereiro de 2008, foi lançado em fevereiro de 2009 e teve a construção concluída em setembro de 2010. Naquele mesmo mês, porém, o governo do país cancelou a encomenda.

Com as embarcações destinadas a um cliente que havia desistido do negócio, surgiu a oportunidade para a Marinha brasileira. Em janeiro de 2012, o governo do Brasil assinou com a BAE Systems um contrato de aproximadamente £ 133,8 milhões para adquirir os três navios. O Port of Spain foi incorporado como NPaOc Amazonas (P-120), enquanto as outras duas unidades receberam os nomes Apa (P-121) e Araguari (P-122).

O Amazonas foi incorporado em 29 de junho de 2012, na Base Naval de Portsmouth, no Reino Unido. O Apa entrou para a Marinha em 30 de novembro do mesmo ano, e o Araguari foi incorporado em 21 de junho de 2013. A aquisição permitiu ao Brasil receber as três embarcações sem precisar iniciar um novo ciclo de projeto e construção.

Com 90,5 metros de comprimento e 13,5 metros de boca máxima, os navios têm deslocamento aproximado de 1.800 toneladas e velocidade superior a 20 nós. O raio de ação passa de 4 mil milhas náuticas e a autonomia supera 30 dias. As embarcações também podem operar com helicópteros e transportar lanchas rápidas Pacific 24, ampliando a capacidade de abordagem, fiscalização e resposta a ocorrências no mar.

Atualmente, os navios da Classe Amazonas são empregados em atividades como patrulha naval, busca e salvamento, apoio logístico e proteção das águas jurisdicionais brasileiras, a chamada Amazônia Azul. A autonomia e os recursos disponíveis permitem que permaneçam por períodos prolongados longe da costa, inclusive em operações que exigem deslocamento para áreas marítimas mais distantes.

Fonte: Poder Naval / Agência Marinha de Notícias / Marinha do Brasil

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