BMW reduz previsão de lucro em 2026 apesar da procura por novos elétricos

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A BMW revisou novamente suas projeções financeiras para 2026 e passou a admitir que a divisão automotiva pode encerrar o ano com margem operacional próxima de zero. A fabricante alemã atribui a piora à queda nas vendas, especialmente na China, e aos custos de antecipação da nova geração de veículos elétricos, além de um programa de reestruturação.

No início do ano, a empresa previa margem operacional entre 4% e 6%. Em junho, reduziu a estimativa para 1% a 3% e, agora, trabalha com uma faixa entre -0,5% e 0,5%. No terceiro trimestre, o lucro antes dos impostos do grupo caiu 11%, para 2,1 bilhões de euros, enquanto a margem da divisão automotiva recuou de 5,2% para 3,4%.

A retração das vendas na China é um dos principais fatores. As entregas no país caíram cerca de 25% no terceiro trimestre, pressionadas pela concorrência de fabricantes locais, como a BYD, que avançam também no segmento premium. Para o ano inteiro, a BMW prevê queda nas entregas entre 5% e quase 10%, uma projeção mais pessimista que a anterior.

Ao mesmo tempo, a procura pelos modelos da nova família Neue Klasse levou a empresa a antecipar a produção. O primeiro representante dessa geração é o BMW iX3, que estreia baterias Gen6, células cilíndricas e arquitetura elétrica de 800 volts. A transição, porém, exige a descontinuação antecipada de modelos e tecnologias anteriores, gerando baixas contábeis sobre equipamentos e investimentos que terão vida útil menor que a prevista.

A reestruturação inclui a eliminação de aproximadamente 8 mil postos de trabalho em todo o mundo, além de cerca de 100 cargos de gestão. Segundo a empresa, os custos dessas medidas e da renovação da linha de produtos devem reduzir a margem operacional em cerca de 2,5 pontos percentuais em 2026. Sem esses encargos extraordinários, a margem automotiva ficaria acima de 2%. A BMW ainda espera gerar mais de 2,5 bilhões de euros em fluxo de caixa livre na divisão.

A fabricante projeta recuperar gradualmente a rentabilidade com a Neue Klasse e a redução de custos. A meta é alcançar margem automotiva de até 5% em 2028 e voltar ao patamar histórico de 8% a 10% no início da próxima década. O resultado dependerá da aceitação dos novos modelos e da capacidade de recuperar espaço no mercado chinês.

Fonte: Xataka Brasil