Expansão do BRT movimenta cidades brasileiras e Salvador se prepara para ampliar a rede

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Por Emerson Pereira – Foto Reprodução SóMob

O Bus Rapid Transit (BRT) segue ampliando sua presença no transporte público brasileiro. Ao longo das últimas cinco décadas, diferentes cidades adotaram o modelo como alternativa para aumentar a capacidade dos corredores de ônibus e oferecer maior prioridade ao transporte coletivo. Em Salvador, que iniciou a operação do sistema em 2022, uma nova etapa de expansão está próxima de começar.

Um estudo da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), elaborado pela Oficina Consultores, mostra que o Brasil possui atualmente 556 quilômetros de vias dedicadas exclusivamente ao transporte público coletivo por ônibus. Desde 1974, quando Curitiba colocou em operação o primeiro corredor BRT do país, a média de implantação foi inferior a 12 quilômetros por ano.

O levantamento, intitulado “BRT Brasil: sistemas em operação nas cidades brasileiras”, analisou aspectos institucionais, regulatórios, físicos, operacionais e econômicos dos sistemas em funcionamento no país. O trabalho foi desenvolvido como contribuição da NTU ao Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU), conduzido pelo BNDES, que busca reunir subsídios para orientar futuros investimentos no setor.

Atualmente, 15 cidades brasileiras possuem 17 sistemas BRT em operação, distribuídos por 35 corredores. A implantação desses sistemas ocorreu em diferentes momentos e contextos, com maior concentração de investimentos entre 2012 e 2016, período marcado pelos projetos de mobilidade associados à preparação do país para a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.

O estudo também aponta que os sistemas foram estruturados por diferentes modelos institucionais. Apenas três dos 17 BRTs analisados foram viabilizados por processos licitatórios exclusivos. Nos demais casos, a operação foi incorporada a contratos de concessão já existentes, por meio de aditivos ou de enquadramento no modelo de transporte coletivo de cada cidade.

Salvador amplia seu sistema

Na capital baiana, o BRT começou a operar em setembro de 2022 e passou a integrar uma rede que também conta com ônibus convencionais e metrô. Desde a implantação das primeiras linhas, o sistema vem sendo ampliado gradualmente e atualmente possui cinco linhas em operação.

A próxima etapa está relacionada à criação de uma nova ligação entre a Lapa e a região da orla. A expectativa é que a linha avance até Patamares, ampliando a área atendida pelo BRT e criando uma nova conexão entre a região central e uma das principais áreas de circulação da cidade.

A expansão ocorre em paralelo ao avanço de outras obras de mobilidade na capital baiana, incluindo a implantação do VLT, reforçando a necessidade de pensar os diferentes modais de forma integrada.

Mais do que a quantidade de linhas ou quilômetros implantados, a evolução do BRT Salvador passa pela capacidade de conexão com os demais serviços de transporte. A integração tarifária, física e operacional entre BRT, ônibus convencionais, metrô e VLT é um dos fatores que podem determinar o impacto da expansão sobre a rotina dos passageiros.

Um modelo que continua evoluindo

A experiência brasileira mostra que o BRT assumiu diferentes formatos e escalas nas cidades onde foi implantado. Para a NTU, o próximo passo é criar condições para que as experiências existentes sejam acompanhadas por novos investimentos e pela modernização dos sistemas.

“O Brasil mostrou, há décadas, que o BRT é uma solução capaz de dar prioridade ao transporte coletivo, ampliar a capacidade dos corredores e melhorar a qualidade dos deslocamentos. O desafio agora é dar escala a essa experiência”, afirma o diretor-presidente da NTU, Francisco Christovam.

Nesse cenário, Salvador aparece como uma das cidades que ainda estão construindo e ampliando sua rede. Com cinco linhas atualmente em operação e uma nova conexão entre a Lapa e a orla próxima de ser incorporada ao sistema, o BRT soteropolitano entra em uma nova fase de expansão.

A evolução da rede, no entanto, não depende apenas da criação de novas linhas. A consolidação do sistema passa também pela integração com os demais modais e pela capacidade de oferecer ao passageiro uma rede de transporte cada vez mais conectada.

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