Scania amplia oferta de ônibus elétricos de 15 metros para o transporte urbano

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Por Emerson Pereira – Foto Divulgação Scania

A eletrificação do transporte coletivo brasileiro começa a avançar para além dos modelos convencionais de 12 metros. Um dos sinais dessa mudança é o novo Scania K 300 6×2*4, apresentado pela fabricante durante a Lat.Bus 2026, em São Paulo. Com 15 metros de comprimento e terceiro eixo direcional, o modelo amplia a oferta de ônibus elétricos alongados para operações urbanas.

O lançamento é o segundo ônibus 100% elétrico da Scania destinado ao mercado brasileiro. A estratégia mostra que a fabricante não está concentrando sua eletrificação apenas em veículos de menor comprimento, mas também busca atender operações que precisam de maior capacidade de passageiros sem necessariamente recorrer a um ônibus articulado.

Com capacidade para aproximadamente 105 passageiros, o K 300 oferece autonomia estimada entre 250 e 300 quilômetros. O veículo pode receber quatro ou cinco pacotes de baterias, com capacidade total de 356 kWh ou 445 kWh, respectivamente. Os tempos estimados de recarga são de 62 e 73 minutos.

A escolha por um chassi de 15 metros também acompanha uma tendência que já existe no transporte urbano brasileiro. Veículos desse comprimento ocupam uma posição intermediária entre os ônibus convencionais e os articulados, permitindo ampliar a capacidade de transporte mantendo, em determinadas operações, uma configuração mais simples.

Esse tipo de solução pode ser particularmente interessante para linhas de alta demanda que não necessariamente precisam da capacidade de um articulado. Na prática, o ônibus de 15 metros pode representar uma alternativa para aumentar a oferta de passageiros por veículo sem exigir as mesmas condições de infraestrutura e operação de um modelo de maior porte.

Mais uma opção na eletrificação

O novo modelo passa a integrar uma linha elétrica que agora conta com duas configurações. O K 270 4×2, com comprimento entre 12,2 e 14 metros e motor de 270 kW, atende às operações convencionais. Já o K 300 6×2*4 leva a tecnologia elétrica para uma plataforma de 15 metros.

Essa ampliação é relevante porque o mercado brasileiro ainda está em uma fase inicial de transição energética. As necessidades dos sistemas de transporte são diferentes entre cidades e corredores, e uma oferta mais diversificada permite que operadores escolham a configuração de acordo com demanda, infraestrutura, autonomia e características das linhas.

A Scania também mantém no portfólio os chassis urbanos a diesel e as alternativas movidas a gás natural e/ou biometano. Portanto, o lançamento não representa uma substituição imediata das demais tecnologias, mas a ampliação das possibilidades disponíveis para os operadores.

Baterias e desempenho

O K 300 utiliza baterias de tecnologia NMC (níquel-manganês-cobalto), que possuem maior densidade energética em relação às baterias LFP, amplamente utilizadas em veículos elétricos.

Segundo a Scania, essa característica permite reduzir o peso do conjunto de baterias e, consequentemente, preservar maior capacidade para o transporte de passageiros. O sistema também é modular, permitindo uma distribuição mais adequada do peso pelo chassi.

O motor elétrico C1-4 desenvolve 300 kW, ou 410 cv, e trabalha com uma transmissão de quatro velocidades. Uma das características dos motores elétricos é a entrega imediata de torque, proporcionando respostas rápidas principalmente nas arrancadas, algo importante em uma operação marcada por paradas e retomadas constantes.

O modelo também estreia o novo eixo traseiro R886, com relação 4,56:1. Segundo a fabricante, o componente é mais leve e robusto e permite ampliar os intervalos de manutenção.

Um segmento que começa a ganhar alternativas

A aposta em um ônibus elétrico de 15 metros chama atenção justamente por ampliar o espaço entre os modelos convencionais e os articulados. À medida que a eletrificação avança, a tendência é que os sistemas urbanos precisem de diferentes configurações para atender às características de cada operação.

A própria Scania já possui histórico nesse segmento. Em 2011, a fabricante foi pioneira no Brasil ao lançar um chassi de 15 metros com terceiro eixo direcional, ainda movido a diesel. A configuração posteriormente também ganhou versões a gás natural e/ou biometano.

Agora, a mesma proposta de maior capacidade chega à eletrificação. O K 300 6×2*4 representa, portanto, não apenas a expansão da linha elétrica da Scania, mas também o surgimento de mais alternativas para a eletrificação de operações urbanas que precisam de veículos maiores, sem necessariamente partir para um ônibus articulado.

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