Para o empresário japonês, errar fazia parte do processo de inovação — e sua filosofia ajudou a transformar a Honda em uma das maiores fabricantes de veículos do mundo
Soichiro Honda, fundador da Honda, construiu sua trajetória a partir de uma combinação de curiosidade, ousadia e persistência. Para ele, o fracasso não era o oposto do sucesso, mas uma etapa necessária para alcançá-lo. Sua visão ficou resumida em uma das frases mais associadas ao empresário: “O sucesso representa 1% do seu trabalho, e é o resultado dos outros 99%, os quais chamamos de fracasso.”
A filosofia ajudou a moldar uma empresa que hoje está entre as principais fabricantes mundiais de automóveis e motocicletas. A Honda atua em mais de 150 países e mantém como parte de sua identidade a busca por inovação e soluções pouco convencionais.
A história de Soichiro Honda, porém, começou muito antes da criação da empresa. Nascido em Tenryu, no Japão, ele cresceu em uma família ligada ao trabalho manual: seu pai era ferreiro e sua mãe, tecelã. Desde criança, demonstrava fascínio por motores, peças e mecanismos.
Aos 15 anos, deixou a escola e foi para Tóquio, onde começou a trabalhar como aprendiz na oficina Art Shokai. Foi ali que aprofundou seus conhecimentos de mecânica e participou da construção de seu primeiro carro de corrida, o Curtiss. Aos 18 anos, o veículo venceu o campeonato nacional japonês.
Um inventor que não confiava apenas nos diplomas
Honda tinha uma relação difícil com o ensino tradicional. Para ele, a experiência prática tinha um valor maior do que os certificados obtidos em sala de aula. Em uma de suas declarações, chegou a afirmar que “diplomas não valem o papel em que são impressos”.
Sua postura também o levou a abandonar uma escola técnica depois de se recusar a realizar uma prova que considerava inútil.
A lógica que orientava sua carreira era simples: experimentar, errar, aprender e tentar novamente. Essa mentalidade seria incorporada posteriormente à cultura da Honda.
Um exemplo foi o desenvolvimento do Hondamatic, transmissão automática projetada pela empresa na década de 1960. O processo envolveu sucessivas tentativas e erros até chegar a uma solução que contribuiu para ampliar a atuação tecnológica da fabricante.
O fracasso como parte da inovação
Para Honda, três características eram fundamentais para alcançar o sucesso: coragem, perseverança e capacidade de sonhar.
Ele acreditava que uma pessoa verdadeiramente convencida de seu objetivo poderia encontrar forças para superar os fracassos ao longo do caminho.
Essa visão também se refletia na maneira como enxergava os funcionários. Honda defendia que as pessoas não deveriam trabalhar apenas por obrigação ou lealdade à empresa, mas também deveriam encontrar satisfação e liberdade para criar.
Para ele, a criatividade dos funcionários era justamente um dos motores da inovação.
A importância de reconhecer as próprias limitações
Apesar de ser o rosto mais conhecido da empresa, Soichiro Honda também reconhecia que não possuía todas as habilidades necessárias para conduzir sozinho um negócio daquele tamanho.
Ele chegou a admitir que, caso fosse o único responsável pela administração, poderia ter levado a companhia à falência rapidamente.
Foi justamente nesse ponto que a parceria com Takeo Fujisawa, cofundador da Honda, ganhou importância. Os dois tinham personalidades e competências bastante diferentes. Enquanto Honda era essencialmente um inventor e apaixonado por engenharia, Fujisawa tinha habilidades complementares na administração e nos negócios.
Honda reconhecia essa diferença ao dizer: “Ele tem o que me falta.”
A parceria se tornou um dos pilares da expansão da empresa e exemplifica outra ideia presente na filosofia do fundador: uma organização forte não precisa ser formada por pessoas iguais, mas por profissionais capazes de complementar as habilidades uns dos outros.
Um legado que vai além dos carros
Soichiro Honda morreu em 1991, mas sua maneira de pensar continua associada à identidade da companhia que ajudou a criar.
Mais do que desenvolver motores e veículos, ele ajudou a estabelecer uma cultura empresarial baseada em experimentação, criatividade, autonomia e aprendizado com os erros.
Sua célebre proporção de 1% de sucesso e 99% de fracasso resume justamente essa concepção: o resultado que o mundo enxerga costuma ser apenas a pequena parte de um processo construído por inúmeras tentativas que não deram certo.
Fonte: Xataka Brasil, adaptado de Motorpasión.



