Cruzador nuclear Admiral Nakhimov passou por uma reconstrução que incluiu novos radares, sistemas de combate e armamentos e deverá reforçar a Frota do Norte
O Admiral Nakhimov, um dos maiores navios de guerra de superfície já construídos, está perto de voltar oficialmente ao serviço da Marinha Russa após permanecer 27 anos fora de operação. O cruzador de propulsão nuclear, construído ainda durante a União Soviética, concluiu uma nova etapa de testes no mar e agora se prepara para a fase final de avaliação antes de ser reintegrado à Frota do Norte.
Com 251 metros de comprimento e deslocamento de aproximadamente 28 mil toneladas, o navio passou por uma modernização que se transformou em uma reconstrução de grande escala. O projeto, inicialmente previsto para terminar em 2018, sofreu sucessivos atrasos e só agora chega à etapa decisiva.
De modernização a uma reconstrução completa
O Admiral Nakhimov entrou em serviço em 1988 e permaneceu na Frota do Norte até 1997. Em 1999, foi levado ao estaleiro Sevmash, em Severodvinsk, onde começou o processo de modernização.
O trabalho, porém, ficou muito mais complexo do que o planejado. O navio recebeu novos radares, sensores, sistemas de comunicação, equipamentos de geração de energia, centros de comando e um sistema de combate completamente reformulado.
Os dois reatores nucleares também passaram por intervenções. Os conjuntos de combustível foram substituídos, e o primeiro reator voltou a operar no fim de dezembro de 2024. O segundo foi reativado no início de fevereiro de 2025.
Os reatores mantêm o conceito básico de água pressurizada desenvolvido na década de 1980, mas agora alimentam turbinas a vapor capazes de produzir cerca de 140 mil cavalos de potência.
O custo estimado de toda a modernização é de aproximadamente US$ 5 bilhões, equivalente a cerca de R$ 25,8 bilhões.
Um arsenal renovado
A principal transformação ocorreu no armamento. Grande parte dos sistemas originais foi retirada para dar lugar a lançadores verticais capazes de utilizar diferentes tipos de mísseis.
Entre as armas previstas estão os mísseis de cruzeiro Kalibr e P-800 Oniks, além dos mísseis hipersônicos Tsirkon, considerados uma das principais armas de ataque naval desenvolvidas pela Rússia.
O cruzador também deverá contar com 96 lançadores de defesa aérea de longo alcance derivados do sistema S-400, além de outros sistemas antiaéreos, torpedos, canhões e capacidade para operar helicópteros de guerra antissubmarino.
O navio terá ainda 80 células destinadas ao lançamento de mísseis de cruzeiro.
Com essa configuração, a embarcação volta ao serviço com um conjunto de armas muito diferente daquele que possuía quando entrou em operação durante a Guerra Fria.
Por que a Rússia quer o navio de volta?
O principal destino operacional do Admiral Nakhimov deverá ser o Mar de Barents, região localizada entre a Noruega e o Ártico e considerada estratégica para a Rússia.
A área abriga o chamado “bastião” dos submarinos estratégicos russos, responsáveis por parte importante da capacidade de dissuasão nuclear do país.
A partir de Severomorsk, o cruzador poderá atuar na proteção desses submarinos e reforçar a presença naval russa em uma região considerada essencial para sua estratégia militar.
O Admiral Nakhimov também deverá assumir o posto de nau-capitânia da Frota do Norte, substituindo seu navio-irmão, o Pyotr Velikiy.
O antigo cruzador está atracado em Severomorsk desde 2022 e deve ser descomissionado e posteriormente desmontado.
Um gigante soviético adaptado à guerra moderna
O retorno do Admiral Nakhimov representa a tentativa russa de aproveitar uma plataforma construída durante a Guerra Fria e adaptá-la às necessidades militares atuais.
Embora o projeto tenha décadas de existência, a reconstrução incorporou sensores, sistemas eletrônicos, meios de comunicação e armamentos desenvolvidos para o cenário militar contemporâneo.
O navio é considerado o maior navio de guerra de superfície em serviço potencial no mundo, excluindo os porta-aviões, e pertence à classe de cruzadores de batalha concebida pela União Soviética durante a Guerra Fria.
Antes de voltar oficialmente à atividade, entretanto, ainda será necessário concluir os testes de mar e realizar lançamentos de avaliação de diferentes sistemas de mísseis.
Depois de quase três décadas no estaleiro, o Admiral Nakhimov está, finalmente, na reta final para retornar à Marinha Russa.
Fonte: Xataka Brasil.



