Carro “só para rodar”: preço baixo pode esconder dívida, golpe e até origem criminosa

0
15

Veículos anunciados muito abaixo da Tabela Fipe podem ter multas, IPVA atrasado, bloqueios e problemas que impedem a transferência para o comprador

O preço muito abaixo do mercado pode parecer uma oportunidade, mas, no caso dos chamados carros “só para rodar”, a economia pode se transformar em um grande prejuízo. Esses veículos costumam ser anunciados por valores bem inferiores à Tabela Fipe porque possuem irregularidades que dificultam ou até impedem a transferência de propriedade.

Na prática, quem compra um carro nessas condições pode ficar impossibilitado de colocar o veículo em seu próprio nome. Além de débitos de IPVA, licenciamento e multas, há casos em que o automóvel possui restrições administrativas, financeiras ou judiciais. Em situações mais graves, o carro pode ter sido roubado, furtado ou ser fruto de apropriação indébita.

O que significa “só para rodar”?

A expressão é utilizada informalmente em anúncios para indicar que o carro pode até estar funcionando e circulando, mas apresenta pendências ou irregularidades que impedem sua regularização e transferência.

É justamente por isso que esses automóveis costumam aparecer com preços muito abaixo dos praticados por modelos semelhantes no mercado.

O problema é que o comprador pode assumir um veículo que, legalmente, continua vinculado ao proprietário anterior e não pode ser transferido até que as pendências sejam solucionadas.

Carro pode estar funcionando, mas continuar irregular

O fato de o automóvel estar em condições de circular não significa que sua documentação esteja regularizada.

O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) estabelece prazo para a transferência de propriedade após a compra e exige que o veículo esteja devidamente licenciado para circular.

Se houver débitos ou restrições que impeçam a regularização, o novo comprador pode enfrentar dificuldades para concluir a transferência e ainda ficar sujeito às consequências decorrentes da circulação de um veículo irregular.

Quando existe suspeita de origem criminosa, o problema pode ser ainda mais grave, com possibilidade de apreensão do automóvel e investigação sobre a procedência.

Carro de R$ 80 mil foi negociado por R$ 25 mil

Um caso ocorrido no Ceará mostra como a diferença de preço pode ser enorme. Em 2023, a Força Tática de Tauá registrou a apreensão de um veículo que havia sido alugado em 2014 e nunca devolvido à locadora. Segundo o relato divulgado na época, o suposto proprietário afirmou ter comprado o carro por R$ 25 mil, sendo parte do pagamento feita em dinheiro e parte em animais.

O automóvel, entretanto, tinha valor estimado em aproximadamente R$ 80 mil. A diferença de preço estava relacionada justamente às irregularidades envolvendo o veículo.

A situação foi acompanhada pela consultora automotiva Valéria de Freitas Mendes, que atualmente trabalha com avaliação e consultoria para compradores de veículos. Segundo ela, casos como esse mostram que um preço muito abaixo do mercado deve ser encarado como um sinal de alerta, e não necessariamente como uma oportunidade.

O barato pode sair caro

Além dos problemas de documentação, outro risco está no próprio estado de conservação do veículo. Carros vendidos muito abaixo do preço de mercado podem ter passado por longos períodos sem manutenção adequada. Nesse cenário, componentes importantes, como pneus, freios e cintos de segurança, precisam ser avaliados antes de qualquer negociação. Um veículo barato pode exigir uma sequência de reparos logo após a compra, fazendo com que o custo final fique muito acima do valor inicialmente imaginado pelo comprador.

Como descobrir se o carro tem problemas

Antes de comprar um veículo usado, especialmente quando o preço estiver muito abaixo da média, é importante consultar sua situação documental.

Com a placa e o número do Renavam, o comprador pode verificar junto ao Detran do estado de registro a existência de:

  • débitos de IPVA;
  • licenciamento atrasado;
  • multas;
  • restrições administrativas;
  • bloqueios judiciais;
  • restrições financeiras;
  • registros de roubo ou furto.

Também vale verificar o histórico do veículo, incluindo possíveis registros de leilão, sinistros e problemas estruturais.

Outro cuidado importante é realizar uma avaliação mecânica e, quando possível, um laudo cautelar antes de fechar negócio.

Recusa em mostrar documentos é sinal de alerta

Se o vendedor ou a loja se recusar a fornecer a placa, o Renavam ou informações necessárias para a consulta da situação do veículo, o comprador deve redobrar a atenção. A mesma cautela vale para propostas que envolvam frases como “não dá para transferir”, “é só para rodar”, “depois regulariza” ou “o documento fica no nome do antigo dono”.

Em um negócio de veículo usado, o preço baixo não deve ser analisado isoladamente. A procedência, a documentação e a possibilidade de transferência são tão importantes quanto o estado mecânico do carro.

Fonte: Terra.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here