75% dos incêndios mecânicos do Consórcio Plataforma envolvem ônibus do mesmo modelo

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Por Emerson Pereira – Foto Acervo SóMob

O incêndio que atingiu um ônibus do Consórcio Plataforma na última terça-feira (3), na Avenida Suburbana, em Salvador, trouxe à tona um dado que chama atenção quando analisado o histórico recente da frota da empresa. Segundo informações preliminares, o veículo foi atingido por uma pane elétrica, que teria provocado o início das chamas.

Levantamento realizado pelo portal SóMob, com apoio do busólogo Kinho Veloso, mostra que 75% dos incêndios registrados por causas mecânicas no Consórcio Plataforma envolveram ônibus da mesma geração. Dos 12 casos catalogados ao longo dos últimos anos, nove ocorreram em veículos do modelo Comil Svelto fabricados entre 2014 e 2015.

Os números, por si só, não permitem estabelecer uma relação direta entre o modelo e as ocorrências. No entanto, revelam uma concentração significativa dos casos em veículos que hoje representam uma das parcelas mais antigas e numerosas da operação da empresa.

Ao todo, o Consórcio Plataforma adquiriu 232 unidades do Comil Svelto com motorização Volkswagen durante o processo de renovação da frota que antecedeu a implantação do Sistema Integra. Foram incorporados 193 veículos em 2014 e outros 39 em 2015, formando uma das maiores compras de ônibus realizadas pela concessionária.

Mais de dez anos depois, esses veículos continuam desempenhando papel fundamental na operação do sistema. Atualmente, 216 unidades permanecem em circulação nas linhas atendidas pelo consórcio.

Ao longo desse período, 16 ônibus desse modelo foram retirados definitivamente da frota. Os registros apontam que uma unidade foi destruída por um incêndio ocorrido dentro da garagem da empresa, oito pegaram fogo após falhas ou panes durante a operação em vias públicas e outros sete foram incendiados em ações criminosas.

Embora a quantidade de ocorrências seja pequena diante do universo de mais de 200 veículos adquiridos, a predominância dos Comil Svelto 2014 e 2015 entre os casos de incêndio mecânico levanta questionamentos sobre os desafios da operação de ônibus que já ultrapassaram uma década de uso.

No setor de transporte urbano, especialistas costumam apontar que veículos mais antigos exigem monitoramento constante dos sistemas elétricos, eletrônicos e de alimentação, componentes naturalmente sujeitos ao desgaste provocado pelo tempo e pela intensa rotina operacional. Em cidades como Salvador, onde os ônibus enfrentam longas jornadas diárias, altas temperaturas e tráfego intenso, a manutenção preventiva torna-se ainda mais relevante.

Por outro lado, é importante considerar que os veículos dessa geração representam uma parcela significativa da frota da Plataforma, o que naturalmente aumenta sua exposição estatística a diferentes tipos de ocorrências ao longo dos anos. Ainda assim, o fato de nove dos 12 incêndios mecânicos registrados terem ocorrido em ônibus fabricados entre 2014 e 2015 é um dado que merece atenção.

Renovação da frota deve acelerar substituições

A tendência é que parte desses veículos comece a ser substituída nos próximos meses. A Prefeitura de Salvador planeja incorporar aproximadamente 490 novos ônibus ao Sistema Integra ao longo de 2026.

Desse total, cerca de 170 veículos deverão ser adquiridos diretamente pelas concessionárias, enquanto outros 320 serão comprados pelo município e posteriormente cedidos às empresas por meio de um modelo operacional que ainda não foi detalhado pela administração municipal.

A chegada dos novos ônibus deverá abrir espaço para a retirada gradual de parte da frota mais antiga. Os veículos fabricados entre 2014 e 2015 aparecem entre os principais candidatos à substituição, embora o Consórcio Plataforma ainda mantenha em operação ônibus dos anos de 2012 e 2013.

Dessa forma, a renovação deverá ocorrer de maneira progressiva, acompanhando a entrada dos novos veículos no sistema. Até lá, episódios como o registrado na Avenida Suburbana reforçam a importância do debate sobre envelhecimento da frota, manutenção preventiva e confiabilidade operacional do transporte público de Salvador.

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