O avanço dos veículos elétricos trouxe também a dúvida recorrente entre consumidores sobre se carros elétricos podem pegar fogo. A resposta dos engenheiros e especialistas ouvidos pela reportagem é sim — mas os incêndios são considerados raros e, estatisticamente, menos frequentes do que em veículos movidos a combustão. O problema, segundo os especialistas, está na complexidade do combate quando o fogo envolve baterias de íons de lítio.
A principal preocupação técnica envolve um fenômeno chamado “fuga térmica”, reação em cadeia que pode ocorrer quando as células da bateria sofrem superaquecimento, danos estruturais, perfuração ou falhas elétricas. Quando isso acontece, a temperatura sobe rapidamente e pode provocar incêndios de longa duração e difícil controle.
Apesar disso, os especialistas destacam que veículos elétricos pegam fogo com muito menos frequência do que carros a gasolina, etanol ou diesel. Isso ocorre porque motores elétricos possuem menos componentes sujeitos a combustão, vazamentos ou altas temperaturas constantes. A maioria dos incêndios em carros convencionais está ligada justamente a combustíveis líquidos, óleo quente ou falhas mecânicas.
O texto também explica que boa parte dos casos envolvendo elétricos está relacionada a fatores externos, como acidentes graves, danos na bateria ou recargas inadequadas. Um dos exemplos citados recentemente ocorreu em Santa Maria (RS), quando um BYD Dolphin incendiou-se após uma recarga improvisada com extensão elétrica comum e carregador portátil colocado dentro do veículo. Segundo especialistas da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), o fogo teria sido provocado pela instalação improvisada, e não pelo carro em si.
A percepção pública sobre o tema também é influenciada pelo impacto visual dos incêndios. Como as baterias de lítio geram fumaça intensa e podem reacender horas depois, os episódios costumam ganhar grande repercussão nas redes sociais e na imprensa. Especialistas alertam, porém, que o volume de casos ainda é proporcionalmente muito pequeno diante do crescimento da frota elétrica mundial.
Entre as recomendações de segurança estão utilizar carregadores homologados, evitar adaptações elétricas improvisadas, realizar manutenção especializada e nunca ignorar sinais de superaquecimento ou danos na bateria após colisões. Fabricantes também vêm ampliando sistemas de proteção térmica, monitoramento eletrônico e blindagem estrutural das baterias.
Nas redes sociais e fóruns automotivos, o tema divide opiniões. Parte dos usuários ainda associa veículos elétricos a risco elevado de incêndio, enquanto outros defendem que o problema é amplificado pela novidade tecnológica e pela desinformação.
O debate mostra que a eletrificação automotiva ainda convive com dúvidas técnicas e resistência cultural. Mesmo assim, especialistas afirmam que os veículos elétricos seguem evoluindo rapidamente em segurança, eficiência energética e controle de riscos.
Fonte: Terra / Jornal do Carro / Portal do Trânsito




