Por Emerson Pereira – Foto Reprodução SóMob
Nos bastidores da operação do transporte público de Salvador, um sistema pouco conhecido pelos passageiros tem redefinido a lógica de circulação dos ônibus na cidade. Trata-se da plataforma Goal Systems, ferramenta utilizada pelas concessionárias para planejar e otimizar o uso da frota de forma mais dinâmica e eficiente.
Conhecido entre rodoviários simplesmente como “Goal”, o sistema permite algo que foge ao modelo tradicional: a operação multilinhas. Na prática, um mesmo ônibus deixa de ser vinculado exclusivamente a uma única linha e passa a atender diferentes itinerários a partir de um terminal-base. É o caso, por exemplo, de veículos do Consórcio Plataforma alocados em Paripe, que podem operar em diversas linhas que partem do terminal, conforme a demanda, o tempo de viagem e o intervalo de retorno.
A lógica se repete em outros pontos estratégicos da cidade. Na Estação Mussurunga, por exemplo, ônibus da OT Trans circulam entre linhas que ligam o terminal a bairros como Boca da Mata, Fazenda Grande 4, Cajazeiras 8 e Cajazeiras 11. O resultado direto é a redução da ociosidade da frota parada nos terminais e uma distribuição mais racional dos veículos disponíveis.
Além da redistribuição operacional, a plataforma também atua no planejamento mais amplo do sistema de transporte. É por meio dela que as empresas definem a quantidade de ônibus em circulação, o número de viagens realizadas e até a escala de trabalho dos colaboradores, ajustando a oferta de acordo com a demanda de passageiros ao longo do dia.
Essa mudança representa uma ruptura com o modelo que predominava até poucos anos atrás. Historicamente, as empresas operavam com frotas fixas, em que os mesmos ônibus permaneciam por longos períodos nas mesmas linhas. Um exemplo clássico na memória dos usuários são os veículos Torino´s Volvo da antiga empresa Praia Grande, que rodaram praticamente toda a sua vida útil na linha 1637 M. Periperi x Imbuí, sendo realocados apenas em situações excepcionais.
Hoje, com o apoio de tecnologias de gestão como a Goal Systems — já presentes em centenas de cidades brasileiras — a operação ganha flexibilidade e passa a responder de forma mais ágil às variações de demanda. Um movimento silencioso, mas que ajuda a explicar por que, cada vez mais, o ônibus que chega ao ponto nem sempre é o mesmo que o passageiro se acostumou a ver naquela linha.



