Eletricidade pode viabilizar tarifa zero no transporte público do NE, projeta Jean-Paul Prates

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O ex-presidente da Petrobras e ex-senador Jean-Paul Prates afirmou que, em até duas décadas, capitais do Nordeste poderão alcançar tarifa zero no transporte público, impulsionadas pela eletromobilidade e pela geração local de energia renovável. A declaração foi feita durante seminário sobre eletromobilidade promovido pelo Grupo Lide, em São Paulo, no fim de fevereiro.

Segundo Prates, a eletrificação da mobilidade urbana vai além da redução de emissões, trazendo ganhos como melhoria da qualidade do ar, redução de custos operacionais, estímulo à engenharia nacional e geração de empregos qualificados. Para ele, a transição energética é irreversível e o Brasil precisa assumir posição estratégica nesse processo.

Ao abordar o potencial regional, Prates destacou o excedente de geração de energia no Nordeste e no Norte, especialmente na faixa que vai de Pernambuco ao Amapá, região que chamou de “Brasil equatorial”. De acordo com o ex-presidente da Petrobras, essa abundância cria condições para acelerar a eletrificação da frota. Ele defende um modelo descentralizado, no qual residências com geração solar distribuída também abasteçam a própria mobilidade, reduzindo custos estruturais do sistema.

Na avaliação dele, a consolidação desse cenário exigirá a reinvenção dos postos de combustíveis, que tenderiam a se transformar em hubs de recarga e serviços energéticos. Prates foi enfático ao afirmar que “a era do petróleo acabou para a mobilidade”, defendendo que a eletricidade — independentemente da fonte, seja solar, eólica ou hídrica — será o principal vetor energético do transporte no futuro. Biocombustíveis e gás natural, segundo ele, teriam papel de transição.

Um dos pontos centrais levantados foi o desafio regulatório. Prates defendeu a consolidação do chamado “direito à recarga”, conceito que garantiria segurança jurídica para instalação de pontos de abastecimento elétrico. Em São Paulo, a Lei Estadual nº 18.403/2026 já assegura a condôminos o direito de instalar carregadores em suas vagas, salvo impedimentos técnicos, o que pode acelerar a adoção de veículos elétricos.

Ele também ressaltou o papel do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social no financiamento da cadeia produtiva da eletromobilidade, defendendo que o Brasil desenvolva capacidade industrial própria em baterias, sistemas urbanos e componentes eletrônicos.

Do ponto de vista da mobilidade urbana, a projeção de tarifa zero sustentada por energia local representa uma mudança estrutural. Hoje, a principal pressão sobre as tarifas está nos custos operacionais — combustível, manutenção e folha salarial. A substituição por energia elétrica gerada localmente pode reduzir parte desses custos ao longo do tempo, sobretudo em regiões com forte insolação e capacidade eólica instalada. Entretanto, especialistas apontam que a tarifa zero depende não apenas da matriz energética, mas de um modelo robusto de financiamento público, capaz de compensar integralmente as empresas operadoras.

Assim, embora a eletromobilidade possa reduzir despesas variáveis e emissões, a viabilidade de tarifa zero envolve também planejamento fiscal, governança metropolitana e integração com políticas de desenvolvimento urbano. A proposta apresentada por Prates reforça uma visão de que a transição energética pode ser, além de ambiental, um instrumento de reorganização do financiamento do transporte coletivo no Brasil.

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