Imprudência mata 73 pessoas no trânsito do DF em apenas quatro meses

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Elcina tinha 58 anos e era costureira em Planaltina – (crédito: Material Cedido ao Correio)

O trânsito do Distrito Federal voltou a acender o sinal de alerta. Dados divulgados pelo Detran-DF mostram que 73 pessoas morreram entre janeiro e abril de 2026 em acidentes provocados, em grande parte, por comportamentos imprudentes ao volante. O número reforça a preocupação das autoridades com o aumento das ocorrências fatais e com a persistência de infrações graves nas vias da capital federal.

Entre as vítimas, os pedestres representam cerca de um quarto dos mortos, evidenciando a vulnerabilidade de quem circula a pé. A estatística ganhou destaque após uma sequência de atropelamentos fatais registrados em poucos dias no DF, incluindo o caso da costureira Elcina Pereira Brito, de 58 anos, morta após ser atingida por um motorista que dirigia sem habilitação e sob efeito de drogas.

O cenário preocupa ainda mais porque os números seguem uma tendência de crescimento. Segundo o levantamento citado na reportagem, o Distrito Federal registrou 272 mortes no trânsito em 2025, um aumento de 18,7% em relação ao ano anterior, quando foram contabilizados 229 óbitos.

Especialistas apontam que um dos principais fatores para a elevada letalidade é o excesso de velocidade. O pesquisador de mobilidade urbana Gustavo Serafim, da Universidade de Brasília, argumenta que o modelo viário do DF ainda privilegia deslocamentos rápidos por automóvel, o que aumenta significativamente o risco de acidentes graves e atropelamentos. Segundo ele, estudos da Organização Pan-Americana da Saúde indicam que uma redução de apenas 5% na velocidade média pode diminuir em até 30% as mortes no trânsito.

Os dados de fiscalização reforçam esse diagnóstico. Somente em 2026, o Detran-DF contabilizou 1.824.106 autuações por excesso de velocidade, tornando essa a infração mais recorrente no trânsito local. Além disso, foram registradas 522 infrações por dirigir sob efeito de álcool e 163 casos de condução sem Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

Outro problema destacado na reportagem é a desigualdade na infraestrutura viária entre o Plano Piloto e as regiões administrativas mais afastadas. Áreas periféricas frequentemente apresentam falta de calçadas adequadas, ciclovias segregadas, travessias seguras e sinalização eficiente, fatores que aumentam o risco para pedestres e ciclistas.

O levantamento mostra que as regiões com maior número de acidentes fatais são Samambaia, Planaltina, Taguatinga e Gama, localidades que concentram grande fluxo de veículos e desafios históricos de mobilidade urbana.

A discussão ocorre em meio às ações do movimento Maio Amarelo, que busca conscientizar a população sobre a importância da direção responsável. Especialistas defendem que o combate à violência no trânsito exige uma combinação de fiscalização rigorosa, educação para o trânsito, redução de velocidades e melhorias na infraestrutura urbana.

Os números mostram que a imprudência continua sendo uma das principais causas de mortes nas ruas e rodovias do Distrito Federal. Para autoridades e especialistas, reduzir esse quadro depende não apenas de punições mais severas, mas também de mudanças de comportamento por parte dos condutores e de investimentos permanentes em segurança viária.

Fonte: Correio Braziliense

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