Prefeitura divulga vídeo de adesivação de ônibus em Salvador após atrasos na operação durante eleições

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Prefeito Bruno Reis atribuiu os problemas à colocação de propaganda eleitoral nos coletivos; episódio levou a questionamentos sobre a oferta de transporte e à prorrogação do horário de votação.

Por Emerson Pereira – Foto Divulgação PMS

A Prefeitura de Salvador divulgou, neste domingo (25), vídeos que, segundo a gestão municipal, mostram pessoas adesivando ônibus do sistema Integra com material de propaganda eleitoral antes da saída dos veículos para a operação. As imagens foram apresentadas após atrasos na circulação de parte da frota durante o segundo turno das eleições presidenciais.

A ocorrência foi identificada inicialmente na garagem G5 do Consórcio Plataforma, no bairro de Caminho de Areia. Segundo o prefeito Bruno Reis (União Brasil), os adesivos precisaram ser retirados para que os ônibus pudessem sair das garagens, o que teria provocado atrasos no início da operação.

Em entrevista coletiva, o gestor atribuiu a ação a pessoas que, segundo ele, teriam ligação com o movimento sindical. No entanto, a identificação dos responsáveis pela adesivação ainda depende de apuração.

Prefeitura atribui atrasos à retirada dos adesivos

De acordo com Bruno Reis, os empresários determinaram a retirada do material eleitoral dos veículos para evitar problemas relacionados à legislação eleitoral. O prefeito afirmou que a medida atrasou a liberação dos coletivos.

Diante dos impactos na operação, a Prefeitura informou que determinou a saída dos ônibus mesmo com os adesivos, com o objetivo de reduzir os prejuízos ao deslocamento dos passageiros.

A gestão municipal declarou posteriormente que a circulação foi normalizada e que a frota estabelecida para o dia estava em operação. Segundo o prefeito, a oferta de veículos foi ampliada durante a manhã para atender à demanda.

Sindicato nega participação na retenção dos ônibus

Após as acusações, o Sindicato dos Rodoviários de Salvador negou participação na retenção dos coletivos nas garagens. Em nota, a entidade afirmou que os trabalhadores escalados para atuar no dia da eleição compareceram aos postos de trabalho.

O sindicato também declarou que a organização das escalas e dos plantões é responsabilidade da administração municipal, em conjunto com as empresas concessionárias, e se colocou à disposição para prestar esclarecimentos.

A divergência entre as versões reforça a necessidade de apurar quem realizou a adesivação e quais circunstâncias impediram a saída dos veículos nos horários previstos.

Justiça Eleitoral determinou retomada integral da frota

A situação também chegou à Justiça Eleitoral. Durante o domingo, o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) determinou o restabelecimento imediato da frota integral do transporte público de Salvador, com frequência equivalente à dos dias úteis e gratuidade para os passageiros.

A decisão estabeleceu multa de R$ 1 milhão por hora em caso de descumprimento. O tribunal também determinou providências para fiscalizar a retomada da operação.

No mesmo contexto, foi determinada a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, que estava na França em missão oficial. A decisão foi relacionada às suspeitas envolvendo a oferta de transporte durante a votação.

A ordem judicial e as acusações apresentadas pelas partes não representam, por si só, uma conclusão definitiva sobre a responsabilidade criminal dos envolvidos.

Horário de votação foi estendido até as 19h

As dificuldades de deslocamento registradas durante o segundo turno também foram mencionadas no contexto da decisão de estender o horário de votação em locais onde as urnas ainda não haviam sido fechadas. A medida foi determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), e levou a votação nesses locais até as 19h.

A prorrogação buscou permitir que eleitores que enfrentaram dificuldades para chegar às seções eleitorais tivessem mais tempo para votar. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) orientou a aplicação da medida, mantendo válidos os votos das seções que já haviam encerrado a votação.

Com o encerramento do período eleitoral, a apuração dos votos teve início, enquanto os desdobramentos relacionados à operação dos ônibus e à adesivação dos veículos permaneceram sujeitos à apuração pelas autoridades competentes.

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