Pesquisa aponta preocupação dos brasileiros com os riscos enfrentados pelos jovens na internet; orientação familiar também contribui para formar hábitos seguros nos deslocamentos
A proteção de crianças e adolescentes precisa acompanhar o crescimento e a conquista de autonomia, tanto no ambiente digital quanto nas ruas. No trânsito, a participação dos adultos é importante para ensinar comportamentos seguros desde os primeiros deslocamentos a pé, de bicicleta ou como passageiros, até o momento em que os jovens passam a circular sozinhos pela cidade.
Uma pesquisa do Infinis – Instituto Futuro é Infância Saudável, em parceria com a Quaest, mostra que 89% dos brasileiros consideram crianças e adolescentes muito vulneráveis a crimes e violências na internet. O levantamento não investigou especificamente a segurança viária, mas os resultados ajudam a contextualizar a preocupação com a proteção dos jovens em diferentes ambientes.
O estudo ouviu presencialmente 2.202 brasileiros com 18 anos ou mais, em 128 municípios, entre 29 de maio e 7 de junho de 2026. A margem de erro estimada é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. Para 96% dos entrevistados, pais ou responsáveis deveriam supervisionar o conteúdo acessado por crianças e adolescentes. O acompanhamento, porém, varia conforme a idade: entre crianças de zero a cinco anos que usam a internet, chega a 94%; entre adolescentes de 15 a 17 anos, cai para 68%.
Embora esses números se refiram ao ambiente digital, o avanço da autonomia também ocorre nos deslocamentos. Caminhar até a escola, utilizar o transporte coletivo ou andar de bicicleta são experiências que exigem preparação gradual. Ensinar a observar o movimento dos veículos, escolher locais adequados para atravessar e reconhecer situações de risco ajuda a desenvolver a capacidade de tomar decisões seguras.
O comportamento dos adultos também participa desse aprendizado. Usar o cinto de segurança, transportar crianças no dispositivo de retenção adequado à idade e ao porte físico, respeitar a sinalização e evitar o celular ao dirigir são atitudes que servem de referência. Da mesma forma, atravessar fora dos locais apropriados ou parar em pontos que comprometem a circulação pode transmitir hábitos inadequados. A educação para o trânsito, portanto, começa antes da adolescência e não se limita à preparação para obter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
A percepção de segurança nas escolas também aparece na pesquisa: 73% dos entrevistados consideram essas instituições pouco ou nada seguras para crianças e adolescentes, enquanto 26% as avaliam como seguras. Entre os que demonstram preocupação, 70% apontam a violência entre alunos, 8% mencionam agressões praticadas por professores ou outros profissionais e 18% citam as duas situações. Os dados não tratam da segurança viária nem permitem atribuir essa percepção às condições do trânsito no entorno escolar.
Outro ponto de conexão entre o cotidiano digital e os deslocamentos é o uso do celular. Segundo o levantamento, 33% dos entrevistados conhecem crianças ou adolescentes que sofreram humilhação, xingamentos ou constrangimento nas redes; 25% conhecem jovens que receberam mensagens de conteúdo sexual, e 20% relatam conhecer casos de convites para encontros presenciais com desconhecidos. No trânsito, a orientação sobre o uso responsável do aparelho também deve incluir a importância de manter a atenção ao caminhar ou pedalar, observando veículos, pessoas e mudanças nas condições de circulação.
A preparação para a autonomia exige que as orientações acompanhem a idade, a maturidade e as características de cada trajeto. Conhecer o caminho não garante que ele seja seguro: o fluxo de veículos, as condições das vias e a movimentação de pessoas podem mudar. Por isso, famílias, escolas e responsáveis podem contribuir com conversas, exemplos práticos e acompanhamento progressivo, sem presumir que o crescimento elimina a necessidade de orientação.
Fonte: Portal do Trânsito, Mobilidade & Sustentabilidade



