Os desafios da mobilidade na Bahia para o novo mandato de Jerônimo Rodrigues

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Por Emerson Pereira – Foto Thuane Maria/Govba

Reeleito governador da Bahia no último domingo (4), Jerônimo Rodrigues terá pela frente, nos próximos quatro anos, um cenário de grandes projetos e antigos problemas na área de mobilidade. O estado chega a um novo ciclo de governo com obras estruturantes em andamento, promessas que ainda precisam avançar e sistemas de transporte que aguardam uma reorganização há anos.

Para a mobilidade baiana, o próximo mandato não será apenas de novos anúncios. Será, sobretudo, de execução, conclusão e definição de prioridades.

Entre as propostas apresentadas durante o período eleitoral, uma das que mais chama atenção é a possibilidade de levar o VLT até Alagoinhas, passando por municípios importantes da Região Metropolitana de Salvador, como Simões Filho e Camaçari.

A ideia, no entanto, exige estudos e discussões técnicas antes de qualquer avanço. O atual VLT de Salvador e RMS foi concebido para uma operação metropolitana e urbana, com características diferentes de uma ligação ferroviária de maior distância. Uma eventual extensão até Alagoinhas exigiria avaliar velocidade operacional, distância entre paradas, configuração dos trens, sinalização, capacidade de transporte, manutenção e, principalmente, a demanda que justificaria o investimento necessário para implantação e operação.

Não se trata simplesmente de prolongar os trilhos. Será necessário definir qual modelo de operação seria adequado para uma ligação regional e como esse serviço se integraria ao transporte metropolitano, ao metrô e aos demais sistemas existentes.

O transporte metropolitano continua sendo um problema

Enquanto novos projetos avançam, um problema antigo permanece: o transporte metropolitano por ônibus.

O sistema administrado pelo Estado por meio da Agerba precisa passar por uma profunda reorganização. A discussão envolve a realização de uma nova licitação, renovação da frota, revisão da rede e melhoria da integração com o metrô e os demais modais.

A questão é especialmente importante porque milhões de deslocamentos entre Salvador e os municípios da Região Metropolitana dependem diariamente desse sistema.

Não adianta ampliar a infraestrutura sobre trilhos se o passageiro continuar encontrando dificuldades para chegar até as estações ou se as linhas metropolitanas não estiverem adequadamente integradas. O próximo governo terá o desafio de tratar a RMS como uma rede única de mobilidade, e não como sistemas isolados.

Lauro de Freitas e a pergunta que permanece sem resposta

Dentro dessa discussão, Lauro de Freitas merece atenção especial.

Um dos municípios mais importantes da Região Metropolitana, a cidade continua esperando uma solução definitiva para sua conexão de alta capacidade com Salvador.

Durante a implantação da Linha 2 do metrô, a expectativa era de que o sistema avançasse a partir da Estação Aeroporto até as proximidades do Parque Shopping Bahia. A extensão, porém, acabou não avançando como inicialmente imaginado e passou a depender de condições de demanda previstas no contrato de concessão.

A situação ganhou um novo capítulo durante o período eleitoral. Enquanto a extensão do metrô deixou de ocupar o mesmo espaço que tinha anteriormente no debate, passou a ser ventilada, ainda de maneira discreta, a possibilidade de implantação de um sistema BRT para atender Lauro de Freitas e seu entorno.

Uma proposta de BRT chegou a ser apresentada no âmbito do Novo PAC, com possibilidade de financiamento pelo BNDES. Até o momento, porém, a alternativa não alcançou o estágio de uma obra contratada ou em execução.

É justamente aí que surge uma das principais perguntas para o novo mandato: qual será a solução definitiva para Lauro de Freitas?

Mais do que discutir se o modal será metrô, VLT ou BRT, será necessário analisar qual sistema consegue atender à demanda existente, integrar-se ao metrô na Estação Aeroporto, reorganizar as linhas metropolitanas e reduzir a dependência do transporte individual na Estrada do Coco e nos principais acessos da cidade.

A discussão sobre Lauro de Freitas representa, portanto, um dos maiores desafios de planejamento metropolitano para os próximos anos.

Ferry-Boat precisa recuperar a confiança do usuário

Na ligação entre Salvador e a Ilha de Itaparica, o Ferry-Boat também continuará sendo um ponto sensível.

O sistema enfrenta reclamações recorrentes de usuários relacionadas a filas, espera e dificuldade de atendimento em períodos de maior demanda, especialmente nos finais de semana e feriados.

Uma das alternativas já sinalizadas pelo governo é a ampliação da frota de embarcações. A medida pode aumentar a capacidade do sistema, mas também será necessário garantir regularidade e confiabilidade na operação.

O usuário não precisa apenas de mais embarcações. Precisa saber que poderá atravessar a Baía de Todos-os-Santos com previsibilidade, inclusive nos períodos em que a demanda aumenta.

Ponte Salvador-Itaparica pode ser o maior legado

Entre os projetos de infraestrutura, a Ponte Salvador-Itaparica aparece como um dos maiores desafios do próximo mandato.

O empreendimento é discutido há mais de uma década e, caso seja concluído, poderá alterar profundamente a dinâmica de deslocamento entre Salvador, a Ilha de Itaparica e o Baixo Sul da Bahia.

Além da redução dos tempos de viagem, a ponte tem potencial para modificar a logística regional, ampliar o acesso a destinos turísticos e criar novas possibilidades de desenvolvimento econômico.

Por outro lado, justamente pela dimensão do projeto, sua execução e conclusão estarão entre os principais testes do próximo governo.

Se entregue, a ponte poderá se tornar uma das principais marcas da gestão na área de infraestrutura e mobilidade.

Rodovias também precisam estar no centro da agenda

A mobilidade da Bahia, entretanto, não se resume aos grandes projetos de transporte coletivo.

A situação das rodovias estaduais também merece atenção. Recuperação de pavimentos, manutenção, duplicações e novas ligações podem contribuir diretamente para o deslocamento de pessoas, o transporte de cargas e o desenvolvimento turístico.

Em um estado com dimensões territoriais tão grandes, a qualidade das rodovias possui impacto direto sobre a economia. Uma estrada em boas condições reduz custos logísticos, facilita o acesso a municípios e destinos turísticos e melhora a conexão entre diferentes regiões.

Por isso, a política de mobilidade do próximo mandato precisará olhar também para o interior, e não apenas para Salvador e sua Região Metropolitana.

VLT e metrô já estão em outra fase

Uma diferença importante em relação a ciclos anteriores é que parte significativa dos grandes projetos deixou a fase de promessa e já está em execução.

O VLT Salvador e RMS possui obras divididas em três trechos, conectando Ilha de São João, Calçada, Paripe, Águas Claras e Piatã, além da extensão até o Comércio. Em setembro, o sistema já havia iniciado operação assistida em novos pontos do Subúrbio, enquanto as obras dos três trechos avançavam em diferentes estágios.

Também já existe uma obra importante em andamento no sistema metroviário: a expansão do metrô em direção ao Campo Grande. Nesse caso, o desafio do próximo mandato será dar continuidade ao empreendimento, cumprir cronogramas e garantir que a nova extensão seja efetivamente integrada à rede de transporte de Salvador.

Há ainda a extensão do VLT entre a Baixa do Fiscal e a Estação Retiro, que possui processo de contratação específico, além de outras possibilidades de expansão da rede.

O cenário, portanto, é diferente daquele de anos atrás. Não se trata apenas de anunciar novos sistemas, mas de acompanhar a execução daqueles que já estão em andamento.

Quatro anos para transformar projetos em resultados

A Bahia inicia um novo mandato com uma agenda de mobilidade que combina grandes obras, sistemas que precisam ser reorganizados e projetos que ainda dependem de decisões técnicas e políticas para avançar.

O desafio de Jerônimo Rodrigues será conciliar essas diferentes frentes.

Será preciso concluir o VLT, avançar com a expansão do metrô, definir o futuro da mobilidade em Lauro de Freitas, reorganizar o transporte metropolitano, melhorar o Ferry-Boat, conduzir um dos maiores projetos de infraestrutura do estado — a Ponte Salvador-Itaparica — e, ao mesmo tempo, cuidar das rodovias que conectam a Bahia.

Também será necessário avaliar novas propostas, como a extensão do VLT até Alagoinhas, sem transformar grandes anúncios em projetos desconectados da realidade operacional e financeira.

Em mobilidade, a distância entre uma promessa e uma entrega é medida em obras, quilômetros de trilhos, quilômetros de rodovias, veículos em circulação e, principalmente, no tempo que o cidadão leva para chegar ao seu destino.

É nesse intervalo entre o anúncio e a entrega que o próximo mandato será acompanhado.

O SóMob, maior portal especializado em mobilidade da Bahia, estará presente ao longo dos próximos quatro anos acompanhando as promessas, os projetos, os cronogramas, os investimentos e a execução das obras.

Mais do que registrar inaugurações, o objetivo será acompanhar aquilo que realmente importa para quem utiliza o transporte público, dirige pelas rodovias ou precisa se deslocar diariamente pela Bahia: o que foi prometido, o que está sendo feito e o que efetivamente foi entregue.

Que os próximos quatro anos sejam, portanto, um período de avanços concretos e boas notícias para a mobilidade baiana.

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