Crise de memória RAM pode encarecer ainda mais os carros

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A crise global de memória RAM, impulsionada principalmente pela forte demanda da inteligência artificial, começa a pressionar também a indústria automotiva. Carros modernos dependem cada vez mais de chips para sistemas de entretenimento, câmeras, assistência à condução e outras funções eletrônicas. Com fabricantes como Samsung, SK Hynix e Micron direcionando parte da produção para memórias HBM usadas em data centers de IA, a disponibilidade de componentes para veículos fica mais restrita.

Segundo dados citados pela S&P Global Mobility, as três empresas respondem por cerca de 88% da produção de DRAM automotiva. A situação é especialmente complexa porque os componentes utilizados nos veículos precisam passar por processos específicos de homologação e não podem ser simplesmente substituídos, como ocorre em computadores. Ao mesmo tempo, a quantidade de memória instalada nos carros aumenta rapidamente: estimativas apontam que a média pode chegar a 278 GB em 2026, contra cerca de 90 GB anteriormente.

A LPDDR4 automotiva, usada em sistemas de infoentretenimento e assistência à condução, já registrava alta de aproximadamente 70% em janeiro de 2026 na comparação anual. Novos contratos poderiam custar entre 70% e 100% mais do que em 2025. Em veículos compactos, a memória pode representar cerca de US$ 24 em custos, enquanto modelos mais sofisticados podem superar US$ 150.

O impacto tende a ser maior nos veículos de entrada, que trabalham com margens menores. As montadoras podem repassar os custos ao consumidor, reduzir descontos, retirar equipamentos ou eliminar versões mais baratas. Modelos premium, por outro lado, têm maior capacidade de absorver aumentos nos componentes sem comprometer tanto a rentabilidade.

A crise ocorre em um momento em que a indústria já enfrenta elevados investimentos em eletrificação, novas tecnologias e matérias-primas. Além disso, os serviços financeiros ganharam importância para as montadoras, aumentando o peso de financiamentos, leasing e outras modalidades na estratégia comercial. Para o consumidor, isso pode resultar não apenas em preços de veículos mais altos, mas também em parcelas maiores.

A expectativa da S&P Global Mobility é que a escassez de memória não provoque necessariamente uma redução significativa na produção mundial de carros, desde que as montadoras aceitem pagar mais pelos componentes. O problema, portanto, pode chegar ao consumidor principalmente por meio de preços maiores, menos descontos e versões de entrada mais enxutas, já que retirar tecnologias eletrônicas que se tornaram essenciais deixou de ser uma alternativa simples.

Fonte: Xataka Brasil, com informações do Xataka Espanha, S&P Global Mobility, The New York Times e demais fontes citadas no texto original.

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