Rodízio em São Paulo completa 30 anos em meio a mudanças na frota e na mobilidade

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O rodízio de veículos de São Paulo completa 30 anos em 2026 diante de uma realidade bastante diferente daquela existente quando a política foi criada. A frota da capital chegou a cerca de 10 milhões de veículos, mais que o dobro do volume registrado em 1996, enquanto aplicativos de transporte, motocicletas, novas formas de trabalho e veículos eletrificados passaram a transformar os deslocamentos pela cidade. 

Criado em 1996, o rodízio continua restringindo a circulação de parte dos automóveis nos horários de maior movimento, de acordo com o final da placa. Ao longo de três décadas, porém, os próprios motoristas passaram a adaptar suas rotinas para contornar a restrição. Entre as estratégias adotadas estão a compra de um segundo veículo com final de placa diferente, a mudança dos horários das viagens, a migração para motocicletas e o uso de aplicativos de transporte

Com isso, a restrição nem sempre significa que determinado deslocamento deixou de ser realizado. Em muitos casos, a viagem apenas passou a ocorrer em outro horário ou com outro veículo ou modalidade de transporte. O rodízio continua retirando parte dos automóveis das ruas nos períodos de maior movimento, mas passou a conviver com uma estrutura de mobilidade muito mais diversificada. 

Uma das principais mudanças dos últimos anos é o avanço dos veículos elétricos e híbridos. Atualmente, esses modelos contam com isenção do rodízio como forma de incentivo à utilização de veículos menos poluentes. À medida que a participação dos eletrificados aumenta, porém, cresce também o número de automóveis que podem circular nos horários em que veículos convencionais estão submetidos à restrição. 

Essa transformação já aparece no transporte por aplicativo. Um levantamento da Machine, com dados de 2024 a 2026, indica que os veículos eletrificados passaram de pouco mais de 2% para mais de 6% das frotas de aplicativos. Entre os carros recém-incorporados pelos motoristas, a participação é ainda maior e supera 20%

Os diferentes tipos de eletrificados, entretanto, não apresentam as mesmas características. Carros elétricos puros não emitem poluentes pelo escapamento, enquanto híbridos plug-in podem realizar parte dos deslocamentos utilizando exclusivamente eletricidade. Já os híbridos leves mantêm o motor a combustão como principal fonte de propulsão e utilizam sistemas elétricos como auxílio para reduzir consumo e emissões. Apesar das diferenças tecnológicas, todos estão atualmente submetidos à mesma regra de isenção do rodízio. 

A eletrificação também traz mudanças para quem utiliza o automóvel profissionalmente. Segundo Júlia Camossa, estatística responsável pelo Data Machine, empresas e motoristas precisam considerar não apenas a aquisição dos veículos, mas também questões relacionadas a manutenção, recarga, custos e gestão de frotas. Para ela, a transformação alcança tanto a oferta de veículos quanto a operação dos aplicativos e o mercado de trabalho associado. 

Três décadas depois da criação do rodízio, o desafio para São Paulo deixou de envolver apenas a redução dos congestionamentos. A discussão passou a incluir transporte público, ocupação urbana, novas modalidades de deslocamento, eletrificação da frota e políticas de incentivo ambiental. A questão, portanto, não se resume a manter ou extinguir a restrição, mas também a avaliar como uma política criada para a realidade de 1996 pode acompanhar a mobilidade de 2026. 

Fonte: Portal do Trânsito, Mobilidade & Sustentabilidade. Matéria original⁠

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