Inaugurado no final de 2001, terminal transformou a mobilidade na região norte da capital baiana e segue como um dos principais pontos de conexão do transporte coletivo baiano
Por Emerson Pereira – Foto Acervo Transalvador
Inaugurada em 20 de novembro de 2001, a Estação Mussurunga marcou uma nova etapa na organização do transporte coletivo de Salvador. Implantado no extremo norte da cidade, no fim da Avenida Paralela, o terminal foi concebido para atender à crescente demanda de bairros daquela região, reproduzindo o modelo operacional que já havia sido implantado com sucesso na Estação Pirajá.
Desde sua inauguração, a estação passou a funcionar como um grande centro de distribuição de passageiros provenientes de bairros como Mussurunga, São Cristóvão, Bairro da Paz, Itapuã, Stella Maris, Praia do Flamengo e outras localidades da região norte da capital baiana.
Assim como ocorria na Estação Pirajá, a integração em Mussurunga era realizada por meio do sistema físico-tarifário. Na prática, os passageiros desembarcavam dos ônibus alimentadores e embarcavam em outro coletivo com destino às áreas centrais da cidade sem a necessidade de pagar uma segunda passagem. Antes da implantação da bilhetagem eletrônica, esse modelo representou um importante avanço para os usuários, reduzindo os custos dos deslocamentos e racionalizando a operação do sistema.
A inauguração da Estação Mussurunga também marcou um importante reagrupamento operacional entre empresas oriundas da antiga Vibemsa (Viação Beira-Mar S/A). BTU, Ondina, Rio Vermelho e Verdemar passaram a concentrar praticamente toda a operação das principais linhas do terminal, enquanto poucas linhas permaneceram sob responsabilidade de outras empresas, como União e São Pedro, que operavam linhas passantes no local.
As principais ligações da Estação Mussurunga tinham como destino importantes áreas da cidade. Linhas para Barra 1, Barra 2, Barra 3, Lapa, Ribeira, São Joaquim e Cabula/Pernambués figuravam entre as mais movimentadas do terminal. Utilizando a Avenida Paralela como principal corredor de deslocamento, essas linhas distribuíam diariamente milhares de passageiros para diferentes regiões de Salvador.
Ao longo dos anos, a área de influência da estação foi ampliada. Novas linhas passaram a atender bairros da região de Cajazeiras e da Ceasa, fortalecendo ainda mais o papel do terminal como um dos principais centros de integração do transporte coletivo da capital.
A chegada do metrô provocou uma das maiores mudanças na operação da Estação Mussurunga. A maioria das linhas com destino ao Centro da cidade deixaram de operar, sendo substituídas pela integração com o sistema metroviário. Permaneceram apenas duas ligações históricas: a linha para a Barra, atualmente identificada como 1053 Ondina/Barra — sucessora do antigo Barra 3 — e a 1055 Ribeira, uma das poucas linhas do terminal que mantém praticamente o mesmo trajeto desde a inauguração do terminal, há quase 25 anos.
Em contrapartida, a estação ganhou uma nova vocação regional. Além de continuar atendendo os bairros da região norte da capital, passou a receber linhas metropolitanas provenientes de Lauro de Freitas, Camaçari e Simões Filho, ampliando sua importância para milhares de passageiros que diariamente utilizam o terminal para acessar o metrô e outras linhas urbanas.
Atualmente, além das linhas troncais 1053 Ondina/Barra e 1055 Ribeira, destacam-se entre os serviços alimentadores a 1046 Parque São Cristóvão, a 1073 Cajazeiras 11 e as linhas 1078 e 1079, responsáveis pela ligação com Stella Maris e Praia do Flamengo.
Passados quase 25 anos desde sua inauguração, a Estação Mussurunga permanece como um dos maiores polos de integração de Salvador. Ao longo de sua trajetória, o terminal acompanhou as transformações do transporte coletivo da capital, adaptando-se à chegada do metrô e às mudanças operacionais do sistema, mas preservando sua principal função: conectar diariamente milhares de passageiros entre os bairros da região norte, a Região Metropolitana e os principais destinos da cidade.



