Pagani usa 2 mil parafusos de titânio em carro; juntos eles podem custar mais de R$ 800 mil

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Fixadores recebem acabamento artesanal e levam o logotipo da marca; estimativa coloca o conjunto em cerca de R$ 800 mil

Quando se fala em um Pagani, é natural pensar no motor V12, na carroceria de fibra de carbono ou no acabamento artesanal do interior. Mas um dos detalhes que melhor ajudam a explicar por que os hipercarros da fabricante italiana custam milhões está em uma peça que normalmente passa despercebida: o parafuso.

Cada automóvel da marca utiliza cerca de 2 mil parafusos de titânio, segundo uma informação apresentada por Mat Watson, do canal Carwow, durante uma visita à fábrica da Pagani, em Modena, na Itália. A estimativa é que cada unidade custe aproximadamente 60 libras, o equivalente a cerca de R$ 400.

Se o valor for multiplicado pelos cerca de 2 mil fixadores utilizados em um carro, chega-se a aproximadamente 120 mil libras, ou cerca de R$ 800 mil. O montante supera o preço de diversos carros de luxo novos e se aproxima do valor de um Porsche Panamera de entrada na Espanha.

É importante destacar, porém, que a Pagani não confirmou publicamente esse custo de produção. O cálculo é baseado na estimativa apresentada por Watson durante a visita à fábrica.

Até os parafusos recebem tratamento de joia

Os fixadores utilizados pela Pagani não são peças produzidas em larga escala. Eles são fabricados em titânio e recebem o logotipo da marca gravado com apenas dois mícrons de profundidade, o equivalente a 0,002 milímetro.

O cuidado resume a filosofia de produção da empresa fundada por Horacio Pagani: mesmo componentes que dificilmente serão vistos pelo proprietário recebem o mesmo tratamento dedicado às partes mais chamativas do veículo.

A ideia também aparece em outros modelos da marca.

No Pagani Utopia Roadster, por exemplo, são utilizados quase 1.500 parafusos de titânio Grau 7. Cada um recebe referências relacionadas ao número do chassi, e o conjunto teria um valor estimado em aproximadamente 112,5 mil euros, ou cerca de R$ 650 mil.

Vareta de óleo também passa por processo artesanal

A obsessão pelos detalhes não termina nos fixadores.

A vareta de óleo, por exemplo, é produzida em titânio anodizado. Antes da gravação definitiva, a peça é instalada no motor para determinar exatamente sua posição quando está completamente apertada.

Depois, ela é retirada e gravada levando em consideração essa orientação. Dessa maneira, o logotipo fica perfeitamente alinhado quando a peça é instalada novamente.

A alavanca de câmbio do Utopia também foi desenvolvida levando em consideração não apenas o visual, mas a sensação transmitida ao motorista. O componente foi redesenhado para reduzir vibrações e proporcionar uma resposta tátil específica durante as trocas.

Volante começa com 43 kg de alumínio

O volante mostra ainda melhor o nível de trabalho empregado pela fabricante.

O componente começa como um bloco de alumínio de aproximadamente 43 kg. Depois do processo de usinagem, sobra uma peça com apenas 1,7 kg.

A etapa seguinte é manual. Um artesão especializado passa cerca de oito horas polindo o volante até alcançar o acabamento desejado.

O mesmo princípio é aplicado a componentes que, em outros automóveis, seriam tratados apenas como peças funcionais. Rolamentos, cubos e braços de suspensão também recebem acabamento cuidadoso.

Quanto custa fabricar um Pagani?

A atenção aos detalhes ajuda a entender por que os hipercarros da fabricante italiana estão em uma categoria completamente diferente da dos automóveis produzidos em larga escala.

Não se trata apenas de utilizar materiais caros. O processo de fabricação também é extremamente individualizado, com usinagem de peças, acabamento manual e componentes desenvolvidos especificamente para cada projeto.

Por isso, os cerca de R$ 800 mil estimados apenas para os 2 mil parafusos funcionam como uma espécie de retrato da filosofia da marca — ainda que não representem necessariamente o custo real de produção.

A comparação fica ainda mais curiosa quando se considera que, em um carro convencional, um parafuso é apenas um elemento de fixação. Em um Pagani, ele pode receber a mesma atenção destinada ao motor, ao volante ou ao acabamento da cabine.

Fonte: Xataka Brasil, com informações apresentadas pelo canal Carwow.

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