Reinaugurado em dezembro de 1994, terminal tornou-se um dos principais polos de distribuição de passageiros da capital baiana e permanece como um dos mais movimentados da cidade
Por Emerson Pereira – Foto Acervo Transalvador
Reinaugurada em 5 de dezembro de 1994, após uma ampla reforma promovida pela Prefeitura de Salvador durante a gestão da então prefeita Lídice da Mata, a antiga Estação Nova Esperança (ENE) ganhou uma nova identidade e passou a se chamar Estação Pirajá. A mudança marcou o início de uma nova fase para um dos equipamentos mais importantes do transporte coletivo da capital baiana, que rapidamente se consolidou como um dos maiores centros de integração de passageiros da cidade.
Assim como a antiga ENE, a Estação Pirajá foi concebida para desempenhar um papel estratégico: conectar os bairros mais populosos da periferia de Salvador às regiões centrais da cidade. Localizado às margens da BR-324, o terminal foi implantado em uma posição privilegiada, contando com um amplo sistema viário que permitia a circulação de dezenas de linhas de ônibus e facilitava o acesso dos coletivos à rodovia.
Além de oferecer maior fluidez operacional, a localização do terminal permitiu encurtar itinerários que, até então, percorriam longas distâncias até o centro da cidade. Em vez de seguir diretamente para áreas centrais, muitos ônibus passaram a encerrar suas viagens na Estação Pirajá, onde os passageiros realizavam a integração para outras linhas com destino a diferentes regiões de Salvador.
O projeto foi pensado para funcionar como um grande centro de distribuição de passageiros. Diariamente, a estação recebia usuários vindos de bairros como Cajazeiras, Valéria, Pau da Lima, Estrada Velha do Aeroporto, Castelo Branco e diversas outras localidades do chamado Miolo de Salvador, redistribuindo essa demanda para linhas que atendiam os principais corredores da cidade.
Naquela época, o sistema ainda não contava com bilhetagem eletrônica. A integração era realizada por meio do modelo físico-tarifário, onde o passageiro descia do seu ônibus e pegava outra linha sem precisar pagar uma nova tarifa dentro do terminal. Embora simples quando comparado aos sistemas atuais, o modelo representou um importante avanço ao reduzir custos e facilitar os deslocamentos da população.
O intenso fluxo de passageiros fez com que a Estação Pirajá rapidamente se tornasse o segundo terminal mais movimentado de Salvador, ficando atrás apenas da Estação da Lapa. O equipamento concentrava milhares de embarques e desembarques diariamente, consolidando-se como uma peça fundamental para o funcionamento do transporte coletivo da capital.
Entre as linhas de maior demanda estavam aquelas que ligavam o terminal ao Centro e a importantes polos urbanos da cidade. Destinos como Barra 1, Barra 2, Barra 3, Lapa, Pituba, Bonfim, Baixa dos Sapateiros, São Joaquim e Itapuã figuravam entre os serviços mais utilizados pelos passageiros, atendendo trabalhadores, estudantes e usuários que se deslocavam diariamente para diferentes regiões de Salvador.
Outro aspecto que tornou a Estação Pirajá um marco na história do transporte coletivo foi o modelo adotado para a operação de suas linhas. Diferentemente do restante da rede municipal, os serviços do terminal foram licitados em 1994 por um período de 30 anos. A concorrência foi vencida pelo Grupo Bonfim, controlador das empresas São Pedro e Barramar, que assumiu a operação das linhas integradas ao terminal.
Na prática, porém, a concessão não chegou ao prazo originalmente previsto. Após aproximadamente duas décadas de operação, o Grupo Bonfim devolveu as linhas à Prefeitura de Salvador, em 2014, encerrando um ciclo importante da história do transporte coletivo da cidade.
Mais de três décadas após sua reinauguração, a Estação Pirajá continua desempenhando um papel estratégico na mobilidade urbana de Salvador. Além de permanecer como um dos terminais de ônibus mais movimentados da capital, o equipamento passou a integrar também a rede metroviária, ampliando sua importância como ponto de conexão entre diferentes modais e mantendo sua vocação histórica de aproximar a periferia das demais regiões da cidade.
A trajetória da Estação Pirajá acompanha a própria evolução do sistema de transporte de Salvador. O terminal permanece como um dos principais símbolos da integração urbana da capital, tendo sido responsável por transformar a forma como milhares de soteropolitanos passaram a se deslocar diariamente entre os bairros periféricos e as áreas centrais da cidade.



