Substituir o carro pela bicicleta nos deslocamentos diários pode aumentar a expectativa de vida entre três e 14 meses, além de reduzir o risco de diversas doenças. A conclusão é de um estudo publicado na revista científica Environmental Health Perspectives, que reforça os benefícios da mobilidade ativa para a saúde e para a qualidade de vida. A pesquisa foi destacada pelo Portal do Trânsito, que também aponta o crescente interesse por soluções urbanas que incentivem o uso da bicicleta.
Segundo o estudo, o principal fator responsável pelo ganho em longevidade é a prática regular de atividade física incorporada à rotina diária. Ao utilizar a bicicleta como meio de transporte, o ciclista aumenta o nível de exercício físico sem a necessidade de reservar um horário específico para atividades esportivas, o que contribui para prevenir doenças cardiovasculares, metabólicas e outras enfermidades associadas ao sedentarismo.
Outras pesquisas citadas pela reportagem reforçam os benefícios. Um acompanhamento realizado durante dez anos pela Universidade de Tsukuba, no Japão, identificou menor risco de mortalidade e de necessidade de cuidados de longo prazo entre idosos que utilizavam bicicleta regularmente. Já um estudo da Universidade de Glasgow, na Escócia, que monitorou mais de 82 mil trabalhadores por quase duas décadas, associou o deslocamento diário de bicicleta à redução do risco de morte por diferentes causas, menos internações hospitalares e menor uso de medicamentos relacionados à saúde mental.
O avanço da mobilidade ativa também começa a influenciar outros setores da economia. De acordo com a reportagem, empreendimentos imobiliários já incorporam estruturas voltadas aos ciclistas, como bicicletários e programas de compartilhamento de bicicletas. Um exemplo é o Bike Community, da Vetter Empreendimentos, em Santa Catarina, que disponibiliza mais de 120 bicicletas para cerca de dois mil moradores e prevê manutenção permanente dos equipamentos.
Apesar dos benefícios, especialistas ressaltam que o aumento do uso da bicicleta depende da oferta de infraestrutura adequada. Ciclovias, ciclofaixas, bicicletários e espaços seguros para circulação e estacionamento são considerados essenciais para estimular a adoção da bicicleta como meio de transporte e reduzir a dependência do automóvel.
Para os pesquisadores, incentivar a mobilidade ativa representa uma estratégia capaz de gerar benefícios individuais e coletivos. Além de melhorar a saúde da população, a substituição de viagens de carro por bicicleta contribui para reduzir congestionamentos, emissões de poluentes e o impacto ambiental do transporte urbano.
Fonte: Portal do Trânsito




