A Volvo Car Brasil anunciou uma mudança importante para os proprietários de seus veículos eletrificados. A partir do domingo (15), os donos de modelos da marca deixarão de ter acesso gratuito à rede de carregadores da fabricante e passarão a pagar pelas recargas realizadas nos eletropostos da empresa em todo o país. A medida encerra uma política adotada desde o início da expansão da infraestrutura de carregamento da montadora no Brasil e inaugura uma nova fase da operação.
Até agora, apenas proprietários de veículos de outras marcas eram cobrados para utilizar os carregadores da Volvo. Com a mudança, a cobrança passa a ser aplicada a todos os usuários da rede, incluindo clientes da própria fabricante sueca. A empresa informou que a nova política será adotada em seus 75 carregadores instalados no Brasil, que juntos cobrem cerca de 31 mil quilômetros de estradas e corredores rodoviários.
A principal novidade é a criação de uma tarifa unificada, válida para qualquer usuário. Nos carregadores rápidos (DC), o valor será de R$ 2,90 por kWh consumido. Já nos carregadores de conveniência (AC), mais lentos, a cobrança será de R$ 2,00 por kWh. Além disso, haverá uma taxa de conectividade de R$ 2,50 por sessão de recarga, independentemente do veículo utilizado.
Segundo a Volvo, a decisão foi tomada após quase quatro anos de funcionamento da rede própria de eletropostos. A empresa entende que a infraestrutura já atingiu um estágio de maturidade que permite a adoção de um modelo de cobrança para todos os usuários.
Nova função permitirá reservar carregadores com antecedência
Embora a gratuidade esteja chegando ao fim, os proprietários de veículos Volvo continuarão tendo acesso a recursos exclusivos. A principal novidade é o sistema Booking, que permitirá aos clientes da marca reservar um carregador com até 24 horas de antecedência. Também será possível fazer o agendamento pouco antes da chegada ao local, reduzindo o risco de enfrentar filas ou encontrar o equipamento ocupado.
A funcionalidade busca resolver uma das principais reclamações dos usuários de carros elétricos: a disponibilidade dos pontos de recarga em horários de maior demanda. O recurso deverá ser disponibilizado por meio dos sistemas digitais da montadora.
Quanto custará uma recarga completa?
Para ilustrar o impacto da mudança, a reportagem utilizou como exemplo o Volvo EX30 de entrada, equipado com bateria de 51 kWh. Considerando a nova tarifa dos carregadores rápidos e a taxa de conectividade, uma recarga completa poderá custar aproximadamente R$ 150,40.
Apesar do novo custo, a Volvo argumenta que os valores permanecem alinhados ao mercado brasileiro de recarga rápida. Atualmente, as tarifas cobradas por operadores privados variam normalmente entre R$ 2,00 e R$ 4,00 por kWh, dependendo da região e da potência do equipamento.
A montadora também manterá a chamada taxa de ociosidade, aplicada quando o veículo permanece conectado após o término da recarga. Nos carregadores rápidos, o motorista terá um período de tolerância de 15 minutos. Após esse prazo, será cobrada uma tarifa de R$ 5 por minuto para estimular a rotatividade das vagas.
Mudança divide opiniões entre proprietários
A decisão gerou repercussão entre donos de veículos elétricos nas redes sociais e fóruns especializados. Enquanto parte dos usuários considera natural o fim da gratuidade, argumentando que o benefício sempre foi uma estratégia temporária para estimular a adoção dos elétricos, outros criticam a escolha da Volvo de cobrar exatamente os mesmos valores de clientes da marca e de proprietários de veículos concorrentes.
Muitos usuários defendem que a fabricante poderia ter mantido condições diferenciadas para seus clientes, como descontos ou tarifas reduzidas. Ainda assim, há consenso de que a manutenção de uma ampla rede de carregadores envolve custos elevados de infraestrutura, energia e manutenção, tornando difícil sustentar a gratuidade indefinidamente.
A mudança representa mais um sinal da evolução do mercado de veículos elétricos no Brasil. Se, em um primeiro momento, montadoras investiram em benefícios para incentivar a adoção da tecnologia, agora o setor começa a migrar para modelos de negócio voltados à sustentabilidade financeira da infraestrutura de recarga.
Fonte: Terra




