Por Emerson Pereira – Foto Bruno Concha/PMS
A Prefeitura de Salvador tem intensificado a expansão da infraestrutura voltada à circulação de bicicletas e projeta implantar cerca de 50 quilômetros de estruturas cicloviárias a cada semestre. A estratégia inclui a criação de ciclovias, ciclofaixas e, principalmente, ciclorrotas, modelo adotado em vias onde não há espaço físico para faixas exclusivas.
A iniciativa faz parte do Plano Cicloviário de Salvador, desenvolvido em parceria entre a Superintendência de Trânsito de Salvador (Transalvador) e a Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob), e busca ampliar a integração entre bairros e estruturas já existentes, como os corredores cicloviários da orla da capital.
Diferentemente das ciclovias e ciclofaixas, as ciclorrotas funcionam em vias compartilhadas entre carros e bicicletas, contando com sinalização horizontal e placas indicativas para orientar os usuários. Segundo a gerente de Projetos da Transalvador, Suraia Lago, a solução tem sido utilizada principalmente em regiões onde a largura das vias inviabiliza a implantação de espaços exclusivos para ciclistas.
“A ciclorrota é uma rota utilizada em vias onde a largura não permite a implantação de uma ciclofaixa”, explica.
A primeira etapa do projeto está em fase final de execução e deve ser concluída ainda neste semestre, com aproximadamente 26 quilômetros de ciclorrotas implantados. A previsão é que uma nova fase das intervenções seja retomada no segundo semestre, após o período chuvoso.
Atualmente, já existem trechos em operação em bairros como Caminho das Árvores, Pituba e na Rua Waldemar Falcão, no Horto Florestal. A proposta da prefeitura é ampliar essas conexões para facilitar o deslocamento entre diferentes regiões da cidade e criar integração com outras estruturas cicloviárias já existentes.
A escolha dos locais leva em consideração o fluxo de ciclistas e a necessidade de conexão entre pontos estratégicos da capital. De acordo com a Transalvador, equipes técnicas realizam levantamentos de circulação antes da definição dos trechos.
Embora a ampliação da malha cicloviária represente um avanço para a mobilidade ativa em Salvador, especialistas apontam que o principal desafio continua sendo a criação de uma rede efetivamente conectada e segura. Em muitos casos, a ausência de continuidade entre ciclovias e ciclorrotas ainda limita o uso da bicicleta como alternativa viável para deslocamentos diários mais longos.
A gestão municipal defende que o fortalecimento do transporte por bicicleta contribui para reduzir impactos ambientais, melhorar a mobilidade urbana e ampliar opções de deslocamento na cidade. “Os ciclistas são parte integrante do trânsito e devem ser tratados com a mesma prioridade que os demais usuários das vias. Nosso objetivo é promover uma convivência segura entre motoristas, ciclistas e pedestres”, conclui Suraia Lago.




