Brasil acumula quase 10 mil km de ferrovias abandonadas e reativação exigiria até R$ 75 bilhões

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O Brasil convive com um dos maiores gargalos estruturais da sua logística: uma extensa malha ferroviária abandonada que poderia transformar o transporte de cargas no país. Um estudo recente revela que existem 9.845 quilômetros de ferrovias desativadas ou subutilizadas, distribuídas em 61 trechos, evidenciando o tamanho do desperdício de infraestrutura em um país altamente dependente do transporte rodoviário.

Do total analisado, cerca de 7.412 km apresentam potencial de reativação, mas com uma condição essencial: a necessidade de investimento público massivo. A estimativa aponta que seriam necessários aproximadamente R$ 75 bilhões para viabilizar a reconstrução e operação dessas linhas, com custo médio próximo de R$ 10 milhões por quilômetro.

Por outro lado, o estudo também revela limitações importantes. Cerca de 2.433 km foram considerados inviáveis, mesmo com aporte estatal, o que demonstra que parte da malha já perdeu completamente sua viabilidade econômica. Além disso, nenhum dos trechos analisados conseguiria operar apenas com investimento privado, evidenciando a forte dependência de subsídios públicos para o setor ferroviário.

A vocação predominante dessas ferrovias é o transporte de cargas, com aproximadamente 5.900 km voltados ao escoamento de mercadorias, o que reforça o potencial de impacto positivo sobre a economia. Outros 1.200 km poderiam operar em modelo misto, enquanto apenas 300 km apresentam viabilidade exclusiva para transporte de passageiros, demonstrando a baixa atratividade econômica desse segmento no modelo atual.

Regionalmente, a malha está distribuída entre Nordeste, Centro-Leste e Sul, abrangendo estados estratégicos como Bahia, Minas Gerais, Pernambuco e Paraná. Esse cenário evidencia não apenas o potencial logístico desperdiçado, mas também a necessidade de integração entre políticas públicas, planejamento de longo prazo e modelos de financiamento que tornem o setor sustentável. Sem isso, o Brasil seguirá refém de uma matriz de transporte mais cara, menos eficiente e mais vulnerável a crises.

Fonte: Acesse Política, Revista Oeste, Bahia Notícias, A Tarde, Bahia Econômica, Diário do Estado

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