Apesar do avanço das vendas de veículos elétricos na Europa, parte dos proprietários cogita voltar aos modelos a combustão. Um levantamento da consultoria McKinsey & Company aponta que 19% dos donos de elétricos no continente consideram provável escolher um carro a gasolina ou diesel na próxima compra.
O índice varia entre os mercados. Na média global, 29% dos entrevistados demonstram intenção de retornar aos motores a combustão, percentual que chega a 49% na Austrália e 46% nos Estados Unidos. Na França, são 18%, e na Itália, 15%. Em sentido contrário, sete em cada dez proprietários de elétricos na Europa afirmam que não voltariam a comprar um modelo convencional.
O custo de recarga está entre os principais motivos de insatisfação. Quem carrega o veículo em casa costuma encontrar vantagens financeiras, mas os motoristas dependentes de eletropostos públicos enfrentam tarifas mais altas, especialmente em viagens rodoviárias. A desvalorização dos seminovos também pesa: como o mercado de usados ainda é recente e a tecnologia evolui rapidamente, há incerteza sobre o valor de revenda desses automóveis.
Outro problema é a infraestrutura. Estações fora de serviço, filas em períodos de grande movimento e preços elevados na recarga rápida comprometem a experiência dos usuários. Segundo dados da McKinsey com projeções para 2026, a preocupação com a autonomia caiu de segundo para oitavo lugar entre os receios dos consumidores desde 2023. Já a disponibilidade e a confiabilidade dos carregadores públicos continuam entre as principais dificuldades.
Apesar dessas barreiras, a intenção de comprar veículos elétricos segue em crescimento. Na Alemanha, por exemplo, o interesse passou de 22% em 2023 para 31% atualmente. O levantamento indica que a decisão de voltar à combustão está mais relacionada a custos, infraestrutura e praticidade do que à rejeição da tecnologia.
Os resultados mostram que a expansão dos elétricos depende não apenas da evolução dos veículos, mas também de uma rede de recarga confiável e de maior previsibilidade no mercado de usados. Embora a maioria dos proprietários europeus esteja satisfeita com a escolha, os obstáculos de uso ainda influenciam uma parcela dos consumidores.
Fonte: Xataka Brasil



