Cidades do interior enfrentam novos desafios para reduzir acidentes de trânsito

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Crescimento urbano, circulação de cargas, motocicletas e novos meios de transporte ampliam a complexidade da mobilidade; dados de municípios mostram cenários diferentes

O crescimento das cidades do interior brasileiro tem aumentado a complexidade do trânsito em municípios que se tornaram polos econômicos e regionais. A expansão da frota, o fluxo de veículos de cidades vizinhas, o transporte de cargas e a presença de motocicletas, bicicletas elétricas e outros equipamentos de mobilidade exigem planejamento viário e ações permanentes de prevenção.

Um estudo publicado na Revista de Saúde Pública, que analisou a mortalidade no trânsito entre 2000 e 2016, registrou 601.760 mortes por lesões de trânsito no Brasil. Cerca de 19% das vítimas eram residentes nas capitais. A pesquisa identificou tendência de crescimento da mortalidade em municípios não capitais de 14 estados, enquanto 14 capitais apresentaram tendência de redução. Os dados são históricos e não permitem concluir que o mesmo padrão permaneça em 2026, mas mostram a importância de analisar a segurança viária para além das grandes metrópoles.

Cascavel, no oeste do Paraná, exemplifica os desafios enfrentados por cidades com intensa circulação regional. Informações divulgadas pela imprensa local, atribuídas à Transitar, apontam 5.829 sinistros de trânsito em 2025, o maior número dos últimos dez anos. Entre janeiro e agosto de 2026, outro levantamento contabilizou 38 mortes em ocorrências nas áreas urbanas e rodoviárias, incluindo 13 vítimas que estavam em motocicletas. Como os registros abrangem diferentes tipos de vias, os números precisam ser considerados de acordo com a área de cobertura de cada levantamento.

O município também registrou aumento de ocorrências envolvendo equipamentos autopropelidos. Entre janeiro e maio de 2026, foram 84 sinistros, contra 40 no mesmo período de 2025. O número de feridos passou de 44 para 100. O avanço evidencia a necessidade de adaptar a infraestrutura à convivência entre diferentes meios de transporte, especialmente em locais planejados originalmente para automóveis, ônibus, caminhões, motocicletas e pedestres.

Outras cidades apresentam resultados distintos. Em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, as mortes no trânsito caíram de 108, em 2024, para 87, em 2025. Entretanto, entre janeiro e julho de 2026, foram registradas 56 mortes, duas a mais do que as 54 contabilizadas no mesmo período do ano anterior. Em Londrina, no Paraná, os sinistros diminuíram de 3.256, em 2024, para 3.233, em 2025. No mesmo intervalo, as mortes no recorte analisado pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização caíram de 49 para 38, redução de aproximadamente 22,4%.

As diferenças mostram que não existe uma única realidade para o trânsito no interior. A análise precisa considerar o crescimento populacional, a evolução da frota, o volume de deslocamentos e as características de cada município. Também é necessário distinguir o aumento absoluto das ocorrências de uma eventual elevação do risco proporcional, além de observar se os levantamentos abrangem apenas vias municipais ou também rodovias.

A presença das motocicletas acrescenta outro desafio, principalmente porque seus ocupantes estão mais expostos em caso de colisão. Cruzamentos, conversões, velocidade incompatível com o ambiente urbano e conflitos com veículos de maior porte exigem atenção especial. Ao mesmo tempo, bicicletas elétricas, scooters e outros equipamentos individuais ampliam a diversidade de usuários que precisam compartilhar as vias com segurança.

A infraestrutura deve acompanhar essas mudanças. Em maio de 2026, a Transitar anunciou a instalação de placas educativas nos dez cruzamentos semaforizados de Cascavel com maior concentração de sinistros entre janeiro e abril daquele ano. A identificação de pontos críticos pode orientar intervenções, mas a prevenção também depende de engenharia de tráfego, travessias seguras, sinalização adequada, fiscalização, manutenção viária e controle de velocidade.

O Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (Pnatrans) estabelece a meta de reduzir pela metade, até 2030, o índice de mortes no trânsito por grupo de habitantes, tomando 2020 como referência. Para avançar nesse objetivo, os municípios precisam acompanhar os indicadores, identificar os grupos mais vulneráveis e avaliar os resultados das medidas adotadas. O desenvolvimento urbano, portanto, exige que a segurança viária seja incorporada ao planejamento das cidades, e não tratada apenas depois da ocorrência de acidentes.

Fonte: Portal do Trânsito, Mobilidade & Sustentabilidade

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