Requisitado pelos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial, gigante de 313 metros pegou fogo durante a conversão e tombou no porto de Nova York
O maior transatlântico do mundo à época acabou sua breve carreira militar antes mesmo de entrar em serviço. O francês SS Normandie, de 313 metros de comprimento, foi requisitado pelos Estados Unidos após o ataque a Pearl Harbor e começou a ser convertido em um transporte de tropas, mas um incêndio durante as obras provocou uma sequência de acontecimentos que terminou com o navio tombado no rio Hudson.
O Normandie estava retido em Nova York desde o início da Segunda Guerra Mundial e havia se tornado um dos símbolos da indústria naval francesa. Além do tamanho, o navio era conhecido pelo luxo dos interiores em estilo Art Déco e pela velocidade. Em sua primeira viagem a Nova York, em 1935, conquistou o Blue Riband, reconhecimento então associado ao transatlântico mais rápido a cruzar o Atlântico.
Cinco dias depois do ataque japonês a Pearl Harbor, em dezembro de 1941, as autoridades americanas assumiram o controle da embarcação. No fim daquele mês, o navio passou para a Marinha dos Estados Unidos, recebeu o nome USS Lafayette e foi destinado ao transporte de militares. A ideia era retirar parte do acabamento luxuoso e adaptar a estrutura para acomodar milhares de soldados.
A transformação, porém, foi conduzida sob forte pressão por causa da necessidade de ampliar rapidamente a capacidade de transporte militar. Oficiais envolvidos no projeto alertaram que o cronograma era apertado demais. Mesmo assim, a Marinha manteve a previsão de colocar o Lafayette em serviço em 11 de fevereiro de 1942 e enviá-lo para sua primeira missão apenas três dias depois.
O acidente aconteceu em 9 de fevereiro, enquanto centenas de trabalhadores ainda atuavam na conversão. Faíscas produzidas por um maçarico atingiram coletes salva-vidas feitos de kapok que estavam armazenados no antigo grande salão do transatlântico. O material pegou fogo por volta das 14h30, e as chamas se espalharam rapidamente pelos conveses superiores.
Para combater o incêndio, as equipes despejaram cerca de 6 mil toneladas de água no navio. O peso provocou problemas de estabilidade, enquanto a água acumulada no interior se deslocava com a inclinação da embarcação. Parte das aberturas ficou submersa e permitiu a entrada de mais água. Na madrugada de 10 de fevereiro, o Lafayette acabou tombando para bombordo, chegando a uma inclinação próxima de 80 graus.
O acidente ocorreu em meio à Segunda Guerra Mundial e chegou a levantar suspeitas de sabotagem ou ataque inimigo. As investigações, porém, apontaram problemas relacionados aos próprios trabalhos de conversão. Uma comissão do Congresso identificou falhas de coordenação, planejamento e divisão de responsabilidades, além de considerar que houve pressa excessiva na execução do projeto.
A Marinha ainda tentou recuperar o gigante. A operação exigiu a retirada de parte da superestrutura e mais de um ano de trabalhos. Em agosto de 1943, o navio foi finalmente endireitado, mas os danos ao casco e aos equipamentos, somados à mudança das necessidades militares, fizeram com que a reconstrução deixasse de ser considerada viável.
O Normandie nunca chegou a transportar soldados em sua configuração militar. Depois de permanecer inutilizado, acabou vendido para sucateamento em 1946. O transatlântico que havia representado a engenharia naval francesa e conquistado recordes de velocidade terminou sua história sem realizar uma única missão de guerra para os Estados Unidos.
Fonte: Xataka Brasil / U.S. Naval History and Heritage Command / U.S. Naval Institute



