High Line: antigos trilhos de trem viraram parque famoso de Nova York

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Ferrovia elevada foi abandonada em 1980 e, após anos de vegetação espontânea, ganhou nova vida como parque urbano em Manhattan

O último trem a circular pela High Line, em Manhattan, transportava três vagões de perus congelados. A viagem ocorreu em 1980, encerrando quase cinco décadas de uma ferrovia construída para levar cargas pelo oeste de Nova York.

Inaugurada em 1934, a estrutura foi criada para retirar das ruas os trens que transportavam carne, leite e produtos industriais. Antes dela, os comboios passavam pela Décima Avenida, conhecida como “Death Avenue” devido aos frequentes acidentes. Os trilhos foram então elevados a cerca de nove metros do chão e conectados a fábricas e armazéns.

Com a expansão dos caminhões, a ferrovia perdeu importância e acabou abandonada. Durante quase 20 anos, sementes trazidas pelo vento e por aves deram origem a uma vegetação que ocupou os trilhos. Estudos chegaram a identificar 161 espécies de plantas vasculares, além de líquens e briófitas.

Em 1999, os moradores Joshua David e Robert Hammond acessaram a estrutura e ficaram impressionados com a paisagem formada sobre a cidade. Eles fundaram a Friends of the High Line e iniciaram uma campanha para impedir a demolição e transformar o espaço em área pública.

A proposta enfrentou resistência de grupos que defendiam a retirada da estrutura, mas ganhou apoio ao longo dos anos. O projeto vencedor foi desenvolvido pelo James Corner Field Operations, em parceria com Diller Scofidio + Renfro, com paisagismo de Piet Oudolf.

A transformação exigiu a recuperação da estrutura de aço e concreto, remoção de materiais contaminantes, impermeabilização, drenagem e instalação de acessos. A vegetação original não foi preservada integralmente, mas serviu de inspiração para o novo paisagismo, que manteve gramíneas, flores e plantas resistentes entre os antigos trilhos.

A primeira seção do parque foi aberta em 2009. Com as ampliações, a High Line passou a formar um percurso de aproximadamente 2,3 quilômetros entre edifícios de Manhattan, preservando parte da antiga infraestrutura ferroviária.

O que começou como uma ferrovia para retirar trens de carga das ruas acabou convertido em um dos exemplos mais conhecidos de reaproveitamento de estruturas urbanas, combinando patrimônio industrial, áreas verdes e circulação de pedestres.

Fonte: Xataka Brasil / High Line / Friends of the High Line / Los Angeles Times

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